domingo, 26 de fevereiro de 2012

Cavaleiros Templários, Piratas, Cristovão Colômbo,... mas bah!

O legal de se ter um blog é justamente escrever o que se quer sem se preocupar em quem vai ler. Melhor ainda, mata a vontade de falar sobre algo que você curte e que mais ninguém tem interesse (eh eh eh...) mas depois de postado, uma pá de gente lê, curte e depois comenta.
Fanático em história como sou e com um gosto bastante peculiar (pra não dizer estranho) com relação a literatura estou sempre revirando as estantes de livros nas livrarias com temas históricos mas que beiram (eu disse "beiram") ao esoterismo e abordam mistérios da história ocultos e existentes apenas em lendas, contos e narrativas especulativas. Claro, a medida em que a gente lê esse tipo de material que eu chamo de "literatura especulativa" e já dominando um pouco os conceitos aceitos academicamente dos contextos históricos, a gente fica cada vez mais criterioso com relação ao conteúdo que se lê, deixando de tomar tudo aquilo como verdade absoluta. Minha intenção agora é escrever uma série de posts justamente desses livros viajandões que já li e apresentar seu conteúdo sob resenhas. Assim, como já disse, posso falar sobre os assuntos e dar minha oipinião sobre os livros. Muitos de passagem já direi, serão sumariamente detonados. Por essas e outras que o foco de leitura será "levemente" modificado daqui pra diante.
Então vamos lá.
O lance do Graal me levou a ler sobre coisas incríveis que estão nas linhas marginais da história e que são brevemente abordados em artigos acadêmicos. Tais "coisas" são de fato realçadas com o intuito de fundamentar as lendas e especulações históricas. Assim, me peguei já lendo sobre: templários, cátaros, Rosslyn, Montségur, Os Monferrato, Rennes-le Chateau, Priorado de Sion, Leonardo Da Vinci, Opus Dei, Merlin, Rei Arthur, Glastombury, Santa Sara, Linhagem Sagrada, Reis Merovíngios, Familia Martel, Vonfran Von Eishenbach, Robert de Boron, Bernardo de Clairvoix, Chretien de Troyes, Cruzadas, Ordem de Cristo, Infante Dom Henique, Cavaleiros Hospitalários, William Wallace (ele mesmo), Maçonaria, Celtas, Visigodos, Vaticano, As narrativas dos Zenos, os Sinclair, e por aí vai. Não há como não ter uma pequena coleção de livros sobre esses diversos temas que, em algum tipo de lenda ou especulação, se encontram, se entrelaçam e se completam.
Pois é essa a receita do livro "Os Piratas e a Frota Templária Perdida: O Segredo de Cristóvão Colombo", escrito pelo americando David Hatcher Childress.


O título do livro já faz o cara que gosta desse tipo de assunto brilhar os olhos. Não deu outra, gastei 40 pratas na livraria. O assunto é, de fato, muito interessante e a forma de como o livro foi escrito pode ser lido de forma extremamente fácil, sendo uma leitura bastante acessível. Porém, é necessário que tenhamos em mente a natureza da obra: especulativa. Mas então, o que vem a ser a "literatura especulativa"?
Eu considero literatura especulativa toda obra literária que apresenta algum tipo de narrativa histórica como factual, baseada e referenciada em outras obras literárias que também possuem a mesma forma de embasamento mas que não possuem valor acadêmico algum. Em inúmeros casos, como o da obra em questão, se vê a referência a outras publicações que também não possuem credenciais acadêmicas, o que acarreta numa pirâmide de suposições sem valor histórico algum, senão o de puro entretenimento. Também considero literatura especulativa aquela que apresenta um assunto histórico e ao final conclui com uma interrogação. Ou seja, o próprio autor conclui seus capítulos e parágrafos com questionamentos fantasiosos sem se aprofundar na resposta destes caracterizando em incitação à especulação histórica dos fatos apresentados.
Não é a toa que sempre devemos considerar as credenciais dos autores de tais obras para, posteriormente, começar a dar algum crédito naquilo que eles escrevem. Então conheçamos um pouco do autor desta obra, David Hatcher Childress.



 De acordo com a Wikipedia, David Hatcher Childress é um autor e editor americano de livros com tópicos em História Alternativa e Revisionismo Histórico. Seus trabalhos tratam de temas como contatos trans-oceânicos pré-colombianos, Tesla, Ordem dos Templários, cidades perdidas e Vimanas. Apesar do seu envolvimento público em áreas gerais de estudo, Childress admite não ter credenciamento acadêmico como arqueólogo profissional ou qualquer outro campo de estudo.
Então já se tem uma base do que sai daí. Childress também é conhecido como o "verdadeiro Indiana Jones", por se embretar nas grotas do mundo atrás de cidades perdidas, tesouros e afins.
Bem, Childress faz uma verdadeira sopa de teorias num livro de apenas 250 páginas. Primeiro começa a abordar a questão Difusionismo X Isolacionismo: coloca em xeque as posições acadêmicas de que a descoberta do continente americano foi feita por europeus no séc. XV e recorda as teorias de que os fenícios e romanos já teriam visitado a costa sul americana do atlântico na antguidade. Nada bem fundamentado, cita o caso das ânforas romanas encontradas no mar proximo a Ilha do Governador no RJ nos anos 70 e de supostas incrições fenícias no Rio Grande do Norte. Se esquece de mencionar as posições oficiais da marinha brasileira e do histórico de estelionato do descobridor das supostas antiguidades, bem como o misterioso desaparecimento dos artefatos do fundo do mar. Em síntese, conta uma história apenas em seu começo, só a parte "boa". Se formos a fundo veremos mais argumentos de improbabilidade de que romanos ou fenícios em suas pequenas embarcações incapazes de transportar muita água potável não conseguiriam atravessar o oceano atlântico. É claro que o assunto é polêmico e cabe sim muita especulação. O sabor do livro ta aí, mas se não tomar cuidado, Childress pode fazer com que você rasgue todos os seus livros de história.
A parte mais bruxa e central do livro é quando Childress aponta o início da pirataria romantica com a perseguição à Ordem Templária e ao sumiço de toda a sua frota. Em síntese, Childress afirma categoricamente que os Templários  deram origem aos piratas e tinham como objetivo basicamente afrontar as marinhas católicas. Afirma que os piratas respeitavam países como Inglaterra e Portugal por estes terem sido portos seguros à perseguição promovida pelo Vaticano.
Para qualquer um que tenha um pouco de conhecimento histórico, as teorias de Childress são no mínimo fantasiosas demais, necessário uma pequena averiguação. Peguei um antigo livro da Coleção Coruja, que ganhei quando era criança cujo título era "Histórias de Piratas e Corsários" e comparei as afirmações de Childress com o que a literatura oficial dizia sobre os piratas.

Childress viajou. Ao relembrar a origem da Maçonaria junto à Ordem Templária (até aí tudo bem) foi capaz de afirmar que piratas como Morgan e Kidd seriam.. maçons. A principal atochada de Childress é a afirmação de que os Jolly Rogers (as famosas bandeiras negras) são oriundas dos templários. Afima que as caveiras e ossos cruzados são símbolos templários e que a origem da expressão "Jolly Roger" ("Alegre Rogerio") vem do Rei Normando da Sicilia Rogerio II em afronta a Igreja Católica.

O livro "Histórias de Piratas e Corsários" desmente tudo isso e faz relembrar a verdadeira origem dos piratas românticos quando estes iniciaram como sendo corsários, a serviço de bandeiras e coroas quando estas não dispunham de frotas marítimas de vulto para enfrentar países como Espanha e Portugal que, na época, dominavam os mares. Quando finalmente esses corsários são dispensados pelas nações por estas já terem suas armadas estruturadas, resolvem utilizar suas bandeiras brincando com a morte. Cada capitão pirata adota uma versão do "Jolly Roger".
Por fim, Childress se sobressai ao tentar afirmar que Critovão Colombo não era italiano, mas espanhol e... judeu. Cita uma obra do famoso caçador de nazistas Simon Wiesenthal (um judeu, não é de admirar) ao afirmar que "Cristoforo Colombo" era na verdade "Cristóban Colon" e que era judeu. Por isso sua motivação para atravessar o atlantico era a de encontrar a colonia perdida judia, fundada quando estes cruzaram o atlântico depois da diáspora judia e cuja rota já era conhecida pelos judeus desde o tempo do Rei Salomão, utilizada para trazer o ouro para a contrução de seu templo. Sim, Childress especula (é o que ele mais faz durante todo o livro) que o judeus podem ter chegado até o Mexico e ter entrado em contato com as civilizações pré-colombianas. Daí viria o tesouro para o Grande Templo em Jerusalém.
Achei o livro uma viagem, porém não menos interessante.
Childress ainda afirma que os Templários teriam um projeto: a construção da "Nova Jerusalém", longe de sarracenos e do Vaticano, no Novo Mundo. Daí as expediçoes de William sinclair e Nicoló Zeno a partir das ilhas Orcadas no século XIV.
Childress não segue um único raciocínio em sua obra, caracterizando, como já disse, uma sopa de teorias especulativas inacabadas e sem muito embasamento científico. Vale a pena compra-lo? Sim, vale, mas se tiver plena consciencia de que não se pode toma-lo como uma verdade absoluta.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Hawking, Big Bang, Deus, deísmo e eu...

Mas antes de começar nossa viagem pelo Revisionismo Histórico, preciso (eu digo, preciso...) falar sobre algo que constantemente me desafia. Digo isso pois os desafios impostos por estas idéias a mim acabam por atingirem os mais diversos aspectos, desde o lógico e racional até o religioso, cutucando minha fé em Deus.
Todos nós sabemos dos avanços de nossa ciência no estudo do Universo e de toda sua complexidade na busca por compreender sua dinâmica. Com tais avanços os cientistas hoje podem criar modelos teóricos sobre sua origem apresentando uma descrição hipotética dos eventos físicos que resultaram na criação do cosmos, sem necessariamente a existência de figura de um criador, de Deus.


Todos já ouviram falar na teoria do Big Bang. Para ser mais sintético a teoria do Big Bang diz que todo o Univero foi criado a partir de uma explosão. Desde então, toda a matéria que ela formou continua se expandindo no espaço. Ou seja, o maior diferencial que esta teoria trás é a de atribuir ao Universo uma história, uma evolução, calcando seu início sendo mensurado principalmente pela dimensão temporal, pois afirma que o Universo não existiu desde sempre, mas que teve um início. Antes disso, acreditava-se num Universo eterno, estático e imutável. A história da teoria do Big Bang tem início em 1917 com a publicação da Teoria da Relatividade de Albert Eisntein e 20 anos após com o astrofísico americando Edwin Hubble ao descobrir que as galáxias se distanciam uma das outras, descrevendo o fenômeno da expansão do Universo. Em 1927 o estrofísico Geroges Lemaître se aproximou da teoria de Einstein ao afirmar que o Universo está se expandindo e ao mesmo tempo se esfriando o que se supõe que em seu princípio ele era muito quente.
Por fim temos Stephen Hawking, aperfeiçoando a teoria do Big Bang ao adicionar o estudo dos buracos negros.

Em síntese, Hawking admite que a criação do Universo e os buracos negros possuem relação. A teoria da relatividade diz que o tempo se distorce quando um corpo se aproxima de outro com grande força gravitacional. A concentração do Universo num ponto de densidade infinita, a partir do qual, por meio do Big Bang, o Universo começou a se expandir, constitui uma "singularidade", ou seja, há uma descontinuidade entre o que "houve" antes do Big Bang e o que aconteceu depois. Assim, nem é possível saber o que houve antes a partir do conhecimento do que houve depois, nem seria possível antecipar a partir do conhecimento do antes, o que aconteceria depois do Big Bang.
Hawking diz então: "Pode-se imaginar que Deus criou o Universo em qualquer momento, pode-se imaginar que Deus criou o Universo no momento do Big Bang ou mesmo depois e de tal modo a nos fazer imaginar que houve um Big Bang, mas seria sem sentido supor que o Universo foi criado antes do Big Bang. Um Universo em expansão não inclui um criador, mas coloca limites, quanto ao momento em que ele teria feito a coisa". Creio que o que Hawking quer dizer é que se houvesse alguma coisa "antes" do Big Bang, esta coisa não seria o Universo, precisamente porque a partir do seu conhecimento nada se poderia prever quanto ao que ocorreria depois do Big Bang. Com efeito, logo a seguir Hawking explica o que é uma teoria científica: ela deve ser capaz de descrever de forma acurada um grande número de observações a partir de um modelo de poucos elementos e ser capaz de prever os resultados de futuras observações. É interessante notar que, Hawking apela para um argumento "teológico" para se decidir a respeito do "estado inicial" do Universo: ele diz que "parece que Deus criou um Universo que evolui de forma regular, de acordo com certas leis. Portanto parece razoável supor que há leis governando o estado inicial do Universo". Hawking usa aqui o argumento inverso ao da 5ª via de São Tomás, que dizia: Há ordem no universo, portanto existe Deus. O maior do físicos deste século, Einstein, já usara este tipo de argumento para rejeitar a explicação probabilística dos fenômenos quânticos: Não é possível, dizia ele, que Deus jogue sorte com o destino do Universo (Frase textual de Einstein: "Deus não joga dados").

Neste momento, nosso principal foco de discussão não está somente na teoria do Big Bang mas na própria personalidade paradoxal de Hawking que se descreve como agnóstico. Ele repetidamente tem usado a palavra "Deus" em seus livros e discursos, mas segundo ele próprio, no sentido metafórico e relativo.  Hawking declarou que não é religioso no sentido comum, e que acredita que "o universo é governado pelas leis da ciência. As leis podem ter sido criadas por Deus, mas Deus não intervém para quebrar essas leis". Hawking comparou a ciência e a religião durante uma entrevista, dizendo "há uma diferença fundamental na religião, que se baseia na autoridade, e na ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque ela funciona".
Em alguns trechos de seus livros, Hawking também parece seguir uma linha de pensamento baseado em Einstein ou em Leibniz, que se aproxima muito À linha de pensamento filosófica do deísmo. No livro "Uma breve história do tempo" ele cita que "tanto quanto o Universo teve um princípio, nós poderíamos supor que tenha um Criador". Ainda nesse livro, ele diz que "no entanto, se nós descobrirmos uma teoria completa...então nós conheceríamos a mente de Deus".
Porém, em seu mais recente e polêmico livro "The Grand Design", Hawking contradiz suas antigas declarações sobre a ideia de um criador e sugere que "Deus não tem mais lugar nas teorias sobre criação do Universo, devido a uma série de avanços no campo da física". No livro, numa declaração controversa, afirma que "por haver uma lei como a gravidade, o Universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o Universo existe, pela qual nós existimos", dizendo que o Big Bang foi simplesmente uma consequência da lei da gravidade.
A impressão que temos é que Hawking é receoso em muitos momentos ao afirmar ou mesmo a negar a existência de um Deus criador do Universo. Isso é compreensível quando um cientista encontra-se uma sociedade  cujo conhecimento científico é relativamente periférico à população em geral e por isso resistente a uma avaliação e reflexão mais profunda dos argumentos científicos apresentados por este, o qeu o levaria a citar Deus para fins melhorar a aceitação de suas idéias num primeiro momento. No entanto, independente da questão teológica que envolve, é necessário que seja considerado o contraponto relativo a teoria do Big Bang.


Se as observações sustentam a idéia do Big Bang, isso significa apenas que se trata de uma teoria altamente crível, mas não uma verdade absoluta e definitiva. A imagem de um universo resultante de um explosão geralmente se produz a partir de um lado muito quente, do qual a matéria se derrama para ocupar um espaço vazio. Só que, no Universo não existe centro, não existe vazio. A teoria do Big Bang, tudo acontece como se cada ponto explodisse, como se a explosão acontecesse em toda a parte. Também a noção de um tempo zero deve ser revista: esse ponto zero, a partir do qual o tempo escorreria, começaria quando a temperatura fosse infinita. Mas em física quântica não existe temperatura infinita, e nem sequer infinito. Ou seja, não há como remontar antes de 13,7 bilhões de anos: a ultima imagem que se pode obter é a de uma sopa de partículas antes do advento, o que não significa que nada existia antes dela mas sim apenas que se trata de uma questão à qual ainda não se tem meios para responder.
É nesse momento que acho interessante os pensamentos da corrente filosófica do deísmo, onde um Deus pode ter criado as leis que regem todo um universo mas que não intervém para mudá-las. Em momento algum gostaria de iniciar uma discussão em prol da existencia de Deus, mas sim sobre esse questionamento. Inegável em inúmeros aspectos o fato de que estamos tratando apenas de física teórica onde ainda nossa ciência indispõe de meios para que estas teorias sejam comprovadas senão apenas por modelos matemáticos. Isso significa que, considerando os atuais avanços inquestionáveis da ciência, negar a existência de Deus é a mesma coisa, porém de forma inversa, que negar a ciência como entre os séculos XII e XVI pelas sociedades medievais.  Ou seja, estamos novamente criando um preconceito sobre o assunto. 
No contexto apresentado, discutimos a criação do nosso Universo. Digo "nosso" Universo. Alguém por acaso chegou a se perguntar se existe mais de um universo? A teoria da inflação já incita dizer que o Universo é na verdade um "multiverso" pois cria um universo diversificado. Com essa teoria, em vez de se obter uma cobertura unida, nos encontramos diante de uma extraordinária manta de retalhos, composta de "meio ambientes distintos". Faz sentido, conhecemos apenas 4 dimensões universais: altura, comprimento, largura e  tempo, mas não será que não existem outras? A matemática, mais precisamente a algebra linear, e a física dizem que sim.
Então, Deus existe? A minha posição é sim, embora meu conceito de Deus está longe do conceito de domínio geral. A cada dia fico mais receioso a crer ou mesmo a aceitar a idéia de um Deus intervencionista, Pai Celestial ou coisa parecida capaz de interferir de acordo com sua vontade. Creio veramente que nada é por acaso e que a razão é a principal lei que rege nosso cosmos. A razão é Deus! Portanto, sim, Ele existe!
Para tentar fazer-me entender novamente relembro o renomado astronomo Carl Sagan em seu romance Contato. Nesta obra, Sagan conta a história de uma astronoma que viaja pelo espaço numa máquina construída sob orientação alienígena. Nesta viagem encontra-se com um espectro com a aparencia de seu pai já falecido e jovial. Esta entidade dirige-se a ela afirmando que não era seu pai mas que aquela forma foi "a maneira encontrada por eles para poderem comunicarem-se" pois sua natureza de fato seria incompreensível aos olhos dela como uma pessoa humana. Nesse breve contato a entidade responde perguntas antes sem respostas mas outras continuam sem quando a entidade responde "ainda não sabemos". Isto é, aquela mesma entidade, evoluída, que necessitou fazer uso de uma imagem conhecida da astronoma para se comunicar devido ao seu alto grau evolutivo também possui grandes dúvidas sobre o Cosmos e a existencia. A intenção de Sagan é clara ao sugerir que todo e qualquer ser possui uma escala evolutiva no Universo e que cada uma delas trará esclarecimentos a perguntas referentes ao seu Cosmos. Ou seja, estamos recém começando uma longa caminhada de compreensão do nosso Universo.
Minha crença na existencia de uma força superior é imutável senão na forma como a vejo. Sem dúvida que aquilo que criou todo esse complexo e organizado Universo e suas leis possui um poder inimaginável e aos olhos de nós simples seres humanos completamente incompreensível do qual chamamos simplesmente de Deus. Não podemos nos limitar apenas ao início da criação do Universo, pois... e antes? Bem, Hawking afirma que "antes não havia antes" pois não havia tempo, somente o tempo zero. Mas o tempo é apenas uma das dimensões que conhecemos. Seremos então estúpidos e soberbos para afirmar que não existem outras dimensões e que estas não venham a abrigar outros universos?
Então invocamos a filosofia ao perguntar o que havia antes do universo senão outro universo com dimensões que não conhecemos ou simplesmente não somos capazes de compreender? Hawking em uma série de TV para o canal NatGeo é categórico ao afirmar que Deus não existe (apesar de suas contradições em suas obras) pois ele não pode ter sido o criador do Universo. Limitamos então à grande força criadora apenas a criação do Universo?
A existencia de Deus está longe de ser descartada. Mas a releitura da forma como esta Força Criadora é representada ou compreendida não. O fato é que a ciência não deve ser temida pelas religiões pois será através desta ciência que as religiões obterão respostas que fundamentarão as suas reais razões de existirem.
Humilde opinião de quem vos escreve.
Bah, me puxei! Gostei de escrever esse post!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O Santo Graal parte VI: Os Cátaros


Depois de uma pá de tempo sem escrever, volto a apresentar mais um pedacinho de uma pequisa que realizei a 10 anos atrás na web sobre o Santo Graal. Já citados em vários livros desde Dan Brown e em várias teorias sobre o Santo Cálice, venho apresentar a história do s Cátaros. Pois bem, vamos lá...
Citados por Wolfram Von Eschenbach e Richard Wagner: os cátaros, a região do Languedoc na França, sua doutrina e a história cátara escondem detalhes da procura do Santo Graal no mínimo intrigantes. Em algumas passagens, o Santo Cálice é mencionado diretamente e noutras são subsídios para escritores e trovadores criando um emaranhado rico em detalhes sobre esta relíquia.
No início do século XII, a Igreja católica presenciará a difusão da heresia dos cátaros ("Kataroi", puro em grego) ou albigenses (nome derivado da cidade de "Albi", na qual vivia um certo número de heréticos) que se propagará no território do Languedoc, sudoeste da França (da língua occitâna da região – “Língua do Oc”; Oc= ”Sim”, em oposição à “Langue d’Oui”, do norte da França). Também se designava freqüentemente esta região por “Occitânia”, que advém das mesmas raízes lingüísticas.
Os cátaros acreditavam que o homem na sua origem havia sido um ser espiritual e para adquirir consciência e liberdade, precisaria de um corpo material, sendo necessário várias reencarnações para se libertar. Eram dualistas e acreditavam na existência de dois deuses, um do bem (Deus) e outro do mal (Satã), que teria criado o mundo material e mal. Não concebiam a idéia de inferno, pois no fim o deus do bem triunfaria sobre o deus do mal todos seriam salvos.

Os cátaros organizaram uma igreja e seus membros estavam divididos em crentes, perfeitos e bispos. As pessoas se tornavam perfeitos (homens bons) pelo "ritual do consolament" (esta cerimônia consistia na oração do Pai Nosso; reposição da veste, preta no início, depois azul, substituída por um cordão no tempo da perseguição.
Durante o período das perseguições as igrejas cátaras foram destruídas, os ofícios religiosos eram realizados em cavernas, florestas e casas de crentes. A doutrina cátara foi aceita por contrariar alguns dogmas cristãos, principalmente no que se refere a volta à pobreza e ao retorno do cristianismo primitivo.
Devido à propagação da heresia cátara a partir de 1140, a Igreja começa a tomar medidas para combate-la, sendo que no início tentava os heréticos a fé católica por meio da pregação, não adotando trágicas medidas, pois isto não harmonizava com a caridade pregada pelo cristianismo. Vemos aqui um motivo político para investidas contra as comunidades cátaras e sua doutrina. Poderia haver outros motivos para tais investidas?
A maior parte das terras atingidas pela heresia pertencia à província de Narbona, somente a região de Albi ligada à província de Bourges. O Languedoc é anexado a França em 1229 pelo Tratado de Meaux. O êxito da propagação da heresia nos bispados do Languedoc pode ser explicado pela situação política da região, independente do reino da França, as altas autoridades eram os grandes senhores feudais, o conde de Toulouse e o visconde de Béziers, ambos simpatizantes da heresia cátara.
O movimento cátaro foi desencadeado pelas pregações do monge Henrique, embora este não fosse cátaro, muitos fiéis após ouvir suas palavras deixaram de pagar os dízimos e de comparecer as igrejas, seus ensinamentos foram combatidos por Bernardo de Clairvaux (São Bernardo)
De acordo com este cenário, temos um motivo político para que a Igreja promova mais uma cruzada. Compondo as “Cruzadas do Ocidente”, a Cruzada Albigense vem por objetivo acabar com a heresia cátara no sul da França.
Em 1206, chegou ao Languedoc o bispo espanhol Diego de Osma, acompanhado pelo superior Domingos de Guzman, estes pretendiam instruir as massas ignorantes no catolicismo através da pregação. Obtiveram alguns êxitos, porém o assassinato de Pierre de Castelnau (legado do papa), em 1208, precipitou uma mudança na condução política da Igreja. Qual seria o motivo do assassinato? Seria os bispos apenas um ardil para um plano já definido de repressão violenta? Qual seria o real objetivo desta cruzada?
O conde Raimundo de Toulouse era o suspeito do assassinato, sendo excomungado pelo papa Inocêncio III, que escreveu ao rei da França, Felipe Augusto, para expulsar o acusado dos estados do Languedoc, ordenando uma cruzada contra Raimundo VI.
O novo legado do papa, Amaury, anunciou a cruzada contra os cátaros e contra os senhores que os protegiam. Um exército mercenário comandado por Simão de Montfort declarou guerra ao vice-condado de Trencavel, que estava sob proteção de Raimundo VI e Rogério de Trencavel. Raimundo VI teve que se humilhar ante a igreja, e acabou perdendo seus domínios.

Castelo de Carcassone
Em 1224 Luís VIII liderando os barões do norte, empreendeu uma cruzada que durou cerca de três anos alcançando muitas conquistas até chegar a Avignon, onde termina o cerco contra os hereges. O resultado dessa disputa foi um acordo entre o rei da França e conseqüentemente que os domínios disputados passariam para a coroa da França (Tratado de Meaux, 1229). Raimundo VII teve que se submeter ao rei da França, sendo coagido a reconhecer a vontade da Igreja e atacar a heresia.
As cruzadas contra os albigenses duraram em torno de 50 anos.

 A relação entre os cátaros e os Cavaleiros Templários:

Desde seus primeiros tempos a Ordem do Templo mantinha uma certa relação compreensiva com os cátaros, especialmente em Languedoc, onde os Templários, a exemplo dos Cavaleiros Teutônicos, intensionavam criar um estado próprio.

Muitos cátaros e simpatizantes doaram grandes extensões de terra a Ordem. Existem autores que afirmam que pelo menos um dos fundadores da ordem era cátaro. Um pouco improvável, embora saibamos que Bertrand de Blanchefort, o sexto grão-mestre da Ordem Templária, procedia de uma família cátara. Quarenta anos depois da morte de Bertrand seus descendentes combatiam ombro-a-ombro com outros senhores cátaros contra os invasores nortenhos.

Montségur



O cerco à fortaleza de Montségur é o episódio mais misterioso e intrigante das cruzadas contra os albigenses.É dado, em 1241, o início ao sitio em torno do misterioso castelo de Montségur, uma fortaleza construída no topo de uma montanha, situada às farpas dos Pirineus. Montségur tornou-se um refúgio para aqueles que fugiam da catástrofe. A sua defesa era fácil, pois das suas ameias observava-se toda a região ao redor com grande alcance.
Bem apetrechada de alimentos e água a com ajuda do exterior, esta fortaleza conseguiu sempre resistir aos ataques, fazendo sempre desistir o inimigo, esgotado por longos cercos sem fim.
O grande bastião dos cátaros, outrora praticamente intransponível, é atacado e tomado de assalto em 1243. Durante o ataque os cátaros conseguiram retirar seu “tesouro” do castelo e escondê-lo (inicia-se a especulação em torno desse tesouro: poderia ser apenas riquezas, ou então que o tesouro era livros ou apenas alusão à sabedoria dos perfeitos, ou o próprio Santo Graal). A queda de Montségur marca o fim da igreja cátara organizada. Mais de 200 pessoas na ocasião morreriam em fogueiras no final do cerco. Alguns sobreviventes se refugiaram na Catalunha e na Itália. Uma outra fortaleza, a de Quéribus, caíra em 1255.
A idéia inicial era impedir a todo o custo a saída ou entrada de mantimentos para o seu interior, levando assim os seus habitantes à morte por fome, mas o cerco nunca foi suficientemente apertado a ponto de isolar a fortaleza. Muitas das tropas eram locais (simpatizantes dos cátaros) ou mercenárias (pouco confiáveis), o que tornava o bloqueio imperfeito, o que ajudou aos cátaros resistirem por dez meses.
Antes, porém, do castelo ser tomado pelos cruzados, algumas pessoas ali alojadas receberam o "consolament", desceram a montanha e se encaminharam livre de espontânea vontade, com as mãos dadas, para as fogueiras inquisidoras dos cruzados. Tudo isso antes da capitulação, em 16 de março daquele ano. Os defensores pediram uma trégua de duas semanas, enquanto ponderavam sobre a decisão a tomar, conforme propostas dos cruzados de rendição e absolvição pela Santa Igreja (não cumpridas, obviamente). Não se sabe o que os cátaros discutiram nestas duas semanas de trégua, mas com certeza deveriam estar sem vontade alguma de renegar as suas crenças, pois ninguém se quis converter. Haveria algo que eles escondiam que não poderiam nunca contar aos tribunais da Santa Inquisição? Sabe-se que, no fim da trégua, em 15 de março, vinte homens, seis mulheres e cerca de quinze combatentes receberam o "consolament" e tornaram-se “perfeitos”. A opção de martírio fora tomada em unanimidade e, na madrugada de 16 de março, entregaram-se.



Conta-se que, na noite que precedeu a rendição de Montségur, quatro homens "parfaits"(perfeitos) se esgueiraram do castelo, levando um fardo precioso, e seguiram pela vereda de Saint Barthelémy rumo ao castelo de Usson, em Aríege, na direção de Montreal de Sos. Como o tesouro em ouro e prata fora evacuado de Montségur oito semanas antes, é possível supor que os quatro homens transportavam um bem que os sitiados queriam conservar junto deles até os últimos momentos, mas que não deveria cair nas mãos dos inquisidores. O que seria? Depois de Usson, perde-se a pista do precioso fardo: segundo alguns pesquisadores, o respectivo depósito teria sido levado para Aragão, ou para o norte de Huesca, ou, mais provavelmente, para San Juan de La Penã.

Parte do mistério consiste no estranho fato de só na noite de 16 de março ter sido tomada uma medida concreta no sentido de se fazer evacuar o segredo. Se na verdade os quatro fugitivos transportavam algo de importante, por quê deixar para tão tarde a evacuação quando poderia ter sido feita três meses atrás? O segredo poderia ser transportado por fugitivos anteriores que também obtiveram sucesso.

Existe uma teoria que associa esta decisão à necessidade que os cátaros teriam de usar esse segredo até o dia 16 de março, possivelmente numa cerimônia religiosa cátara, que não poderia ser celebrada noutra data. O tempo de trégua coincidiu com o equinócio da primavera e também com a Páscoa. A estranha passagem de tantos leigos a perfeitos logo antes do fim da trégua poderá evidenciar qualquer cerimônia religiosa realizada. Se o objeto secreto fosse essencial para a cerimônia, isso explicaria a necessidade de o manter na fortaleza até o fim das celebrações.

Os Cátaros e as Lendas do Graal

É, contudo, outro assunto que costuma ser freqüentemente associado aos cátaros: o Cálice Sagrado. O próprio Richard Wagner visitou Rennes-le-Chateau em busca de algo relacionado ao Graal. A ligação dos cátaros ao Graal tem origem anterior à própria cruzada albigense, nos romances que misturavam conceitos cátaros com simbolismos cristãos.Muitos dos romances sobre o Graal foram atacados na altura das Cruzadas pelos eclesiásticos como sendo heréticos. A interligação entre os romances do Cálice e a história dos cátaros chega a ser flagrante: num dos seus romances, Wolfram Von Eschenbach situa o castelo do Cálice nos Pirineus, dando-lhe o nome de “Munsalvache” na versão original alemã, ou como é conhecido: “Montsalvat”. Será uma semelhança demasiada grande com “Montségur” para ser coincidência? E ainda mais quando Wolfram chama ao senhor do castelo o nome de “Perilla”. Como se sabe, Raymond de Pereille era o senhor de Montségur na altura do cerco, e o seu apelido foi encontrado em documentos da época como Perilla, na sua versão latina. Detalhe: o mesmo Eschenbach credita a descoberta do Santo Graal aos “Cavaleiros Moradores do Templo”

Pode-se dizer que, as lendas cátaras sobre o Santo Graal são a contribuição francesa no conjunto de lendas sobre o Santo Cálice, juntamente com especulações sobre as atividades dos Cavaleiros Templários na época. Existe também a lenda de que José de Arimatéia, após a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, tenha vindo viajar para o continente europeu a caminho da Bretanha e deixado na França o Santo Cálice aos cuidados de seu cunhado, Brons (A História de José de Arimatéia). Se ele tinha como destino a Bretanha, provavelmente tenha aportado em algum lugar no sul da França, então... Hoje, os habitantes da região creditam o paradeiro do Santo Cálice em alguma caverna, entre as montanhas dos Pirineus.

Em mais outra lenda, conta-se que:

”Durante o assalto dos cruzados à fortaleza albigense de Montségur, apareceu no alto da muralha uma figura coberta por uma armadura branca. Os soldados recuaram, temendo ser um guardião do Santo Graal. Mas, prevendo a derrota, os cátaros, ocultaram o Santo Graal num dos numerosos subterrâneos, ou foi emparedado em uma das várias muralhas da fortaleza, onde estaria até hoje”.

domingo, 28 de agosto de 2011

O Santo Graal Parte V: As Cruzadas


Como eu me propuz a escrever uma série de posts dedicada específicamente ao assunto do mitológico Santo Graal, inevitável não abordar por um momento o assunto das Sagradas Cruzadas. Afinal, foi exatamente no momento histórico em que ocorreu estas expedições militares de motivação religiosa que surgem as menções do Sacro Cálice na literatura medieval ocidental.
Sendo assim, nada mais correto que contextualizar históricamente a busca do Graal, tentando explicar alguns elementos que surgem ao longo da lenda do Cálice. Nesse caso, fazer uma breve leitura sobre as Cruzadas nos auxiliará a entender o fervilhante momento histórico onde Chréstien de Troyes, Wolfram Von Eschenbach e Robert de Boron conceberam suas obras bem como nos fará compreender melhor o proximo post que escreverei, que falará dos Cavaleiros Templários.
Pois bem, vamos lá...

Papa Urbano II e Monge Pedro conclamando os fiéis
"No dia 18 de novembro de 1095, o Papa Urbano II e o monge Pedro, o Eremita, literalmente botaram fogo no mundo ocidental. Atendendo aos apelos dos cristãos do oriente, o Papa reuniu nobres feudais em Clermont, na França, e pediu que libertassem Jerusalém dos muçulmanos. Foi um discurso fulminante. Começaram, aí, as Cruzadas, a verdadeira Primeira Guerra Mundial. Para os muçulmanos, foram 200 anos de invasões bárbaras que deixaram cicatrizes que doem até hoje”.
Super Interessante, Ano 9 N.º 10 out 1995

“... Estas expedições, religiosas e militares ao mesmo tempo, nas quais tomaram parte quase todos os países europeus, sucederam-se, com intervalos mais ou menos longos, dos fins do séc. XI aos últimos anos do séc XIII. Umas fizeram-se por terra, outras por mar.”
 Antônio G. Matoso. História de Portugal, Lisboa, 1939, vol. I, 72

A visita aos lugares santos de Jerusalém era a principal meta do peregrino europeu, até que os Turcos Seldjúcidas conquistaram a Palestina em 1078, impedindo seu acesso aos cristãos. Um dos mais caros valores da espiritualidade medieval estava sendo ameaçado, e os europeus não hesitaram em organizar expedições militares para “resgatar a Terra Santa das mãos dos infiéis”. Estas expedições receberam o nome de Cruzadas. Seus integrantes distinguiam-se do guerreiro comum porque usavam uma cruz em suas vestes como símbolo. Eram os guerreiros-vassalos do Cristo-Suserano.
As Cruzadas na Terra Santa começaram em 1095 e terminaram em 1291, com a derrota dos cristãos. Mas, fora da Palestina, continuaram até o século XVI. Houve cruzadas na Espanha e no Báltico, contra os pagãos da Letônia e da Finlândia, contra cristãos herálticos, como os cátaros franceses e os hussitas tchecos, e até contra camponeses sublevados na Alemanha. Todas foram convocadas pelos papas em nome de Cristo e em defesa da cristandade.


As cruzadas expulsaram os muçulmanos da Europa, expandiram a influência européia e criaram países latinos na Palestina que duraram 200 anos, mas falharam no essencial: não conquistaram a Terra Santa. Como se não bastasse tal fracasso, embora fossem convocadas para defender os peregrinos cristãos, perseguidos pelos muçulmanos em Jerusalém e os cristãos do oriente contra a expansão muçulmana, uma das cruzadas, iniciada no século VIII (a Quarta), invadiu Constantinopla, a Roma grega do oriente (também conhecida como Bizâncio, hoje Istambul), saqueou-a e repartiu o Império Bizantino entre barões europeus. Os cristãos gregos nunca mais perdoaram os ocidentais e consumou-se o cisma entre a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja Católica Apostólica Romana, que perdura até hoje.
Para os muçulmanos, a tragédia foi maior. Durante 200 anos, centenas de milhares de peregrinos armados, aventureiros, guerreiros, cavaleiros medievais e exércitos regulares liderados pelos reis da Europa desabaram sobre o Oriente Médio. Embora a guerra fosse contra os muçulmanos, no caminho até Jerusalém, os cruzados também atacaram os judeus.
Na palestina, conviviam cristãos de várias seitas, gregos, armênios, judeus, georgianos, muçulmanos sírios, egípcios e turcos. A cultura islâmica era mais próxima da grega, mais cosmopolita e mais humanista do que a cultura medieval. Mas os muçulmanos eram desunidos e guerreavam entre si, sem parar. Os cruzados encontraram povos independentes e souberam aliar-se com alguns.
Não eram raras as peregrinações de cristãos ao Santo Sepulcro. Os califas muçulmanos não se opunham às visitas, que acabavam sendo lucrativas para eles. No entanto, na segunda metade do século XI, os turcos dominaram grande parte da Ásia Ocidental. Rapidamente, os turcos assimilaram a fé muçulmana. Uma de suas tribos, os seldjúcidas expulsaram os cristãos e proibiram suas peregrinações ao local.
Sob o pretexto de libertar a Terra Santa e impedir o avanço muçulmano na Europa Oriental, o papa Urbano II incentivou a Primeira Cruzada.
As expedições armadas com o objetivo de libertar a Terra Santa do domínio muçulmano estenderam-se de 1096 até 1270. Oito foram as cruzadas oficiais, isto é, organizadas pelo Papa, pelas monarquias européias e pela nobreza. Na verdade, houve um fluxo ininterrupto de peregrinações a Jerusalém, armados ou não, que desembarcavam todos os anos durante a primavera.

Tomada de Jerusalem pelos Cruzados
A notícia da queda de Jerusalém e o apelo de Urbano II atingiram profundamente os anseios populares, reforçados pela pregação de Pedro, o eremita. Alguns milhares de despossuídos de toda a espécie dirigiram-se a Terra Santa, sob a liderança do místico Pedro sem nenhum preparo, formando uma verdadeira “Cruzadas dos Mendigos”. A fome levou os primeiros cruzados ao roubo e ao massacre das populações que encontraram pelo caminho. Apesar da ajuda fornecida pelo império bizantino foram dizimados pelos turcos. A Cruzada dos Mendigos foi totalmente destruída ao chegar na Ásia Menor.
No entanto, a expedição mais emblemática que relaciona-se com nossa demanda foi denominada de Primeira Cruzada que ocorreu entre 1095 e 1099: Em 1095 partiram oficialmente os cavaleiros da Primeira Cruzada. Seus chefes eram Roberto da Normandia, Godofredo de Bulhão, Balduíno de flandres, Roberto II de Flandres, Raimundo de Toulousse, Boemundo de Tarento e Tancredo, chefe normando do sul da Itália. Godofredo de Bulhão, então Duque de Lorena, foi eleito Defensor do Santo Sepulcro e seu sucessor foi rei de Jerusalém.
Passando por Constantinopla, onde receberam o apoio do imperador bizantino, os cruzados sitiaram Nicéia; tomaram o sultanato de Doriléia, na Ásia Menor; conquistaram Antioquia; e finalmente avançaram sobre Jerusalém, conquistada em 15 de julho de 1099, depois de um cerco de cinco semanas. O imperador Aleixo I forneceu apoio naval aos cruzados e fez acordo para que a primeiras terras conquistadas integrassem seus domínios. É nessa Cruzada que muitos surgem muitas narrativasd de fatos obscuros, muitos deles considerados apenas apologias ou mesmo lendas.Conta-se, por exemplo:

“... quando os cruzados sitiavam Antioquia... foram surpreendidos pelo exército de Mossul. Desesperados e com fome os cruzados estavam destinados ao fracasso, quando Raimundo de Toulouse recebeu um pobre padre provençal chamado Bartolomeu, que lhe disse que o apóstolo André lhe tinha aparecido em seus sonhos e dissera que uma relíquia capaz de trazer a vitória aos cruzados – a lança que transpassara o flanco de Jesus crucificado – estava enterrada no solo de uma cidade chamada Petrus. Raimundo seguiu o homem até a igreja que indicaria o local. Doze homens escavaram o dia todo, enquanto milhares deles esperavam no lado de fora da igreja. Perto do crepúsculo, o próprio Pedro desceu e voltou trazendo na mão a lança sagrada. Uma enorme ovação saudou sua reaparição. Quando os cruzados avançaram, precedidos da lança sagrada, mostraram-se irresistíveis. E ganharam a cidade de Antioquia.”

Os chefes cruzados fundaram então uma série de Estados Cristãos no Oriente Médio. Cuja organização obedecia ao sistema existente na Europa, o feudalismo. Foram fundados, na Primeira Cruzada, quatro estados latinos no oriente: o condado de Edessa, o principado de Antioquia, o condado de Trípoli e o reino de Jerusalém.
A conquista de Jerusalém foi episódio de grande carnificina. Segundo cronistas da época, os cruzados cometiam atos hediondos como estupros, canibalismo e penduravam as cabeças de seus inimigos em lanças para intimidar os muçulmanos a medida que avançavam sobre seu território.


Em junho de 1099, os Cruzados chegam a Jerusalém, que foi sitiada e capturada em julho. Os primeiros a porem os pés nas muralhas da Cidade Santa foram dois irmãos flamengos. Por essa proeza tornaram-se heróis legendários. Os guerreiros que permaneceram no oriente tornaram-se proprietários de terras, nos moldes do feudalismo europeu. Outros fundaram ordens militares, que foram importantíssimas para defesa das regiões conquistadas e para dar assistência aos peregrinos. Os monges-cavaleiros (Templários em 1100, Hospitalários em 1118, Teutônicos em 1190) acumulavam enorme fortuna em terras, por meio de donativos e de empreendimentos financeiros. No oriente, estes guerreiros eram mais poderosos que a nobreza e os outros representantes da Igreja.

Eu poderia escrever muito mais sobre as Cruzadas. Afinal, esse movimento militar foi o grande responsavel pelo incremento e renovação de toda a cultura ocidental, no momento em que os europeus entram em contato com a então avançada cultura árabe.
Entretanto, saber um pouco sobre As Cruzadas é necessário para que possamos compreender o que tenho a contar mais adiante.
O melhor está por vir...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Enigma da Pirâmide


Eu tô ficando craque em fazer resenhas de filmes. E devo dizer que é muito legal escrevê-las, principalmentes quando se descobre que elas acabam se tornando um sucesso e são constantemente acessadas. Benditas sejam as Lojas Americanas: mais uma vez dou uma voltinha por lá e o que encontro no cesto dos DVDs em promoção?...
Como já disse várias vezes, sou fã de carteirinha de romances policiais, principalmente aqueles clássicos. É por isso que alguns autores e seus personagens da literatura universal já são velhos conhecidos meus: Agatha Christie com sua doce Miss Marple e seu sagaz detetive belga Hercule Poirot; Georges Simenon e seu astucioso Comissário Maigret; Edgar Allan Poe e seu detetive Auguste Dupin que serviu de modelo a muitos outros e, é claro... Sir Arthur Conan Doyle e o personagem ícone do gênero: Sherlock Holmes.
Aliás, é incrível a devoção a Conan Doyle por vários escritores de todo o mundo. A paixão por seu célebre personagem é tanta que inúmeras obras foram escritas em tributo a contribuição dada por este escritor à literatura universal. Caleb Carr, autor conhecido por obras como "O Alienista" e "A Assustadora História do Terrorismo", aventura-se com o romance "O Secretário Italiano" a conceber mais uma aventura de Sherlock Holmes respeitando o espolio intelectual de Conan Doyle.
Nessa mesma linha de homenagens nostálgicas pelo personagem, Steven Spielberg roda em 1985 o longa O Enigma da Pirâmide (Young Sherlock Holmes) que conta a história do encontro de Sherlock Holmes e de seu inseparável amigo Watson ainda na adolescência na escola.

Os jovens Sherlock Holmes e John Watson
O filme em si é a cara do Spielberg (lembrando que nesse filme ele foi apenas produtor) antes de ele começar a só querer fazer "filmes sérios" e ficar martelando o assunto do holocausto judeu toda hora. Dirigido por Chris Columbus (Gremlins, Goonies...), foi indicado para o Oscar de 1986 de efeitos especiais perdendo para Cocoon. Recheado, portanto, de efeitos visuais incríveis para a época, o filme narra uma aventura de tirar o fôlego pela Londres victoriana de 1870.
Então, vamos ao filme...
Como dito, Sherlock Holmes e John Watson se conhecem na escola. Ao acompanharem pela imprensa uma série de suicídios estranhos, Holmes decide mergulhar na investigação destes quando seu mentor também se suicida de maneira controversa. Aí começa o furdunço.


O filme traz uma história envolvendo o Rame Tep, um culto egípcio antigo de adoradores de Osíris, e todo o plano de vingança de seu líder Rathe. A história é boa, e bem desenvolvida. Claro, algumas coisas estão um pouco exageradas, como uma pirâmide egípcia construída num subúrbio londrino, o culto a Osíris com cânticos e um batalhão de seguidores com espadas em punho correndo nas ruas noite afora pelas ruas de Londres, além de pequenos deslizes de roteiro, como o fato do cãozinho ter arrancado uma parte do tecido das vestes de um suspeito e depois tal pedaço ter sido encontrado no estúdio do mentor de Holmes, etc...


Mas o mais legal do filme não é o roteiro em si, que diga-se de passagem não é ruim e que cativa o público, principalmente o juvenil (assim como eu a mais de 20 anos atrás), mas sim os elementos que o compuseram e que explicam inúmeros detalhes da personalidade de Sherlock Holmes que vão desde sua teimosia em tocar violino, passando pela origem da sua célebre frase "Elementar meu caro Watson", seu hábito de fumar cachimbo, seu característico bonezinho, sua paixão por química e por ser notoriamente reservado para relacionamentos amorosos. Além de explicar os detalhes do personagem principal e de seu companheiro, o filme também explica outros elementos do universo Sherlockeano como a participação nas investigações do Inspetor Lestrade da Scotland Yard e pelo surgimento de seu arqui-inimigo, o Dr. Moriarty. Quem é fã conhece a história com o título "O Problema Final" onde Holmes se sacrifica ao combatê-lo. Aliás, o surgimento de Moriarty é uma cereja no bolo do filme que só aparece no final, mas no final mesmo, após os créditos serem exibidos.
O filme tem mais um detalhe que gostaria de salientar: é fiel à obra original, diferentemente da versão gravada em 2010 com  Robert Downey Jr. no papel de um Sherlock Holmes despojado demais e americanizado demais (eis o link do post), não que o filme fosse ruim, mas descaracterizou um pouco o personagem austero e polido criado por Conan Doyle.

Holmes e seu futuro arqui-inimigo (ops,... falei!)
É óbvio que não relatei as conclusões e os desfechos pois senão iria tirar a graça de quem está lendo essa resenha e ainda não assistiu ao filme.
Sem dúvida alguma o filme é um clássico e tem os elementos que eu sempre prezo: empolgante, inteligente, de bom gosto. Não pude resistir em comprar o DVD do filme pois além de tudo o que já disse a principal virtude nele pra mim está mais na nostalgia de poder ter em casa uma aventura que marcou muito minha infância e adolescência.
Agora, de prache, que tal uma palhinha?


Foram através de filmes como esse que meu interesse pela literatura policial foi despertado. E aqui estamos nós.
Comprei esse DVD para guardá-lo com carinho e para poder assisti-lo por várias e várias vezes. Espero poder assistí-lo junto de meu filho. Quem sabe ele também goste de Sherlock?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Santo Graal Parte IV: As teorias do Graal

OK!
Para aqueles que acessam meu blog exclusivamente para acompanharem os posts referentes À minha demanda particular pelo Santo Graal, aí vem mais o 4º da série. No post anterior, tratamos exclusivamente da lenda que envolve o personagem bíblico José de Arimatéia com o Santo Cálice. Neste novo post, pretendo então fazer um breve apanhado dos posts até aqui publicados com mais algumas pequenas teorias sobre o paradeiro, ou o mesmo o que venha a ser, o Santo Graal.
Não preciso dizer que esse é um trabalho amador, pessoal, feito por pura satisfação pessoal. Não há dúvidas que tento filtrar o máximo de informações procurando publicar apenas o relevante descartando o que é obviamente devaneio. Deve-se sim, levar em consideração que nem tudo o que transcrevo está científicamente comprovado. Muito do material que obtive através da web, e mesmo através de livros, é considerado especulação.
Aos amigos que seguem esta série devem, portanto, relevar conceitos científicos e religiosos, fazendo assim suas próprias triagens sobre o conteúdo aqui exposto.
Pois bem, vamos lá...
Em 1934, foi lançado um livro: “The Holy Grail, Its Legends and Symbolism” por Arthur Edward Waite, que junta várias dessas teorias. Muitas delas (na sua maioria, na verdade) são uma verdadeira viagem.

1) A lenda do Graal refere-se a um tradicional Caldeirão Celta, no qual os druidas misturavam suas poções e ervas misteriosas que curavam e restabeleciam as forças e que talvez, seja o ancestral de nossa medicina naturalista. Esta lenda teria sido absorvida pelos cristãos, com a conversão de Celtas à Igreja Romana;

2) O Graal era o codinome de uma ordem ou Seita Secreta descendente dos ensinamentos secretos de Cristo, não divulgados nas Escrituras e da qual, José de Arimatéia fazia parte ou era o dirigente;

3) A lenda de Percival narrada por Troyes trazida para nós mais recentemente, em fins do século XIX, através de um drama musical de Richard Wagner, que narra como Percival encontrou com facilidade o castelo aonde estava o Graal, mas por seu comportamento imaturo, foi mandado embora do castelo, tendo que fazer uma longa peregrinação até reencontrá-lo;

4) A lenda narrada por Eschenbach no qual o Graal é uma pedra que os anjos trouxeram para a Terra, confiando-a aos “moradores do Templo” – os Cavaleiros Templários, representados por uma comunidade de cavaleiros escolhidos e que viviam com seu rei num castelo feudal, semelhante a um templo. O velho rei sofre então, uma ferida incurável que o impede de continuar sua missão e é obrigado a aguardar um cavaleiro que mereça ocupar seu lugar. O enfraquecido rei e seus cavaleiros são levados por anjos através dos ares para a Índia, de onde na época oportuna o Graal tornará a irradiar sua força renovadora;

5) O Graal-pedra era uma pedra preciosa que caiu da tiara de Lúcifer em sua luta contra forças divinas por ocasião de sua insurreição contra Deus. Essa pedra esteve inclusive em poder de Adão antes de sua queda. Pode-se afirmar também que a pedra é o terceiro olho de Lúcifer localizado no centro da testa e com o qual os antigos podiam ver Deus antes de sua queda do Paraíso, como já relatamos.

6) A palavra usada para o Graal mudou subitamente muitas vezes. Uma destas palavras é sangreal. A palavra foi dividida para significado Santo Gral (San Greal), ou ainda Santo Graal. Porém, algumas teorias foram pesquisadas de forma que apoie um significado diferente da expressão “Sangue Real”. O cálice que continha o Sangue de Cristo, seria o conhecimento secreto sobre uma descendência consangüínea direta de Jesus, após sua sobrevivência à crucificação. O princípio básico atrás desta teoria é aquele que Jesus Cristo teve uma criança (ou crianças) com Maria Madalena. A linhagem do Sangue Real foi continuada assim e em algumas teorias existe realmente. Os livros mais recentes associam caráteres históricos e lugares com esses achados em textos medievais do Graal e demonstram como a linha de sangue de Cristo foi envolvida em negócios mundiais. Outro investigador notável do Graal, Walter Stein, também investigou esta teoria durante algum tempo. As teorias deles foram desacreditadas por causa da associação com Nazistas. Ele realmente era conselheiro de Winston Churchill sobre atividades nazistas durante um tempo. Essa teoria ganha holofotes nos anos 2000 com a publicação do romance "O Código Da Vinci" de Dan Brown.

O Graal e as lendas locais
Em quase todos os locais do mundo, mais precisamente no oeste europeu, existem várias lendas locais de "Graals". Quase todas estas lendas trazem os princípios cristãos como base:

Capela de Rosslyn, Escócia:
É sobre o Graal que o investigador Trevor Ravenscroft reivindicou em 1962. Ele tinha terminado na Capela de Rosslyn, uma investigação de vinte anos à procura do Graal. Nesta capela parece haver uma contradição das afirmações de Ravenscroft: o Graal parece ser uma forma de conhecimento e também um objeto real (Cálice de Cristo). Isto simplesmente é explicado pelo fato que muitas pessoas referem-se ao Graal como o Cálice de Cristo, enquanto que o Sr. Trevor sentiu que não pode ser o caso. Ele ainda teria chamado este cálice de Graal, para comunicar seus conhecimentos. Ravenscroft pode ter acreditado em mais uma teoria. A reivindicação dele era a de que o Graal estava dentro do Pilar de Prentice (como é conhecido) nesta capela. Partindo-se então da premissa de que o Graal pudesse estar dentro de sua pilastra, foram utilizados detectores de metal, sendo detectado que um objeto do tamanho apropriado realmente está enterrado no meio desta pilastra. O Sr. Adamantly de Rosslyn recusa-se a permitir que o pilar seja radiografado.

O Graal de Gales:
Diz-se que havia uma comunidade em Gales que guardava uma xícara ou cálice de terracota que estava dentro de um outro cálice confeccionado em ouro. Era capaz de realizar curas e era uma ferramenta poderosa para o bem nas mãos direitas (ou seja, era um objeto que poderia ser utilizado para o bem desde que fosse manuseado por iniciados do lado claro da força). Em 1880 um grupo de indivíduos possuía a intenção declarada de estudar o esoterismo como a "Kabalah" e adivinhações em Tarô. Na realidade sua intenção era achar e destruir o Graal Santo. Durante dez anos, o Graal foi movido e escondido e acha-se finalmente em um lugar seguro. Porém, um dos guardiões traiu os outros e o Graal foi levado. Uma massa preta foi colocada em cima do Graal e destruiu o seu poder e então foi feito em pedaços e os pedaços difundidos. A maioria das lendas sobre o Graal possui muitos detalhes inconseqüentes somados; para dar uma falsa autenticidade. Nomes, datas, lugares e até mesmo figuras históricas são difundidas nas lendas. Isto não é verdade neste caso e faz a lenda sem igual e interessante por causa disto.

O Graal em Glastonbury, Inglaterra:
José de Arimatéia, assim a lenda fala, veio para a Inglaterra, para Glastonbury, depois da morte de Jesus. Com ele trouxe a xícara (cálice) de cristo. Uma lenda local diz agora que a xícara está enterrada em algum lugar debaixo da colina “The Tor” em Glastonbury. "The Tor" é um local antigo de ritual e religião e ainda é um lugar de peregrinação à pé; é um local alto, fora da zona rural de Somerset. Existe lá um poço que é agora um lugar quieto, de santuário, com jardins circunvizinhos, fluxo com água de profundidade, que correm debaixo do "The Tor". As pedras cobertas pela água da primavera são de cor vermelha, representando o "Sangue de Cristo", e a própria água, quando ingerida, deixa na boca um sabor residual muito igual a sangue. The Tor pode ter uma cadeia de túneis subterrâneos, há muito tempo fechados hermeticamente e supõe-se que o Graal tenha sido enterrado em um destes túneis.

O Graal no Mar Báltico:
Em The Templar's Secret Island ("A Ilha Secreta dos Templários"), livro de 194 páginas escrito pelo dinamarquês Erling Haagensen em parceria com o inglês Henry Lincoln, é apresentada a teoria que o Santo Graal e a Arca da Aliança provavelmente foram escondidos pela Ordem dos Cavaleiros Templários na ilha de Bornholm, no Mar Báltico, cerca de 830 anos atrás.

Afinal de contas, o que deve ser levado a sério?
Como podemos ver, os princípios cristãos aflorados na Idade Média, associados ao simbolismo e à fertilidade do imaginário popular geraram várias teorias sobre o que é o Graal e o paradeiro, caso consideremos este ser um objeto. Sendo assim, de acordo com o propósito deste site, é necessário fazermos uma seleção das linhas de teoria sobre o assunto para abordá-las daqui para a frente.
Para muitos pesquisadores, a teoria mais aceita está relacionada a José de Arimatéia como sendo o guardião do Santo Cálice utilizado por Jesus na Santa Ceia para beber vinho e no qual Arimatéia recolheu a água e o sangue dos ferimentos de Cristo quando em sua crucificação. Ele teria levado consigo este Cálice, quando viajou para o Ocidente, em direção à Abadia de Glastonbury, no qual morreu. Os pesquisadores sugerem três reivindicações sobre a Lenda do Santo Graal:

a) A da Abadia de Glastonbury na Inglaterra, ligada à lenda de Arimatéia;
b) A de Gênova, ligada a lenda do cruzado Guglielmo;
c) A região dos Pirineus na França, ligada à inúmeras lendas dos Albingenses sobre cálices milagrosos ou com poderes mágicos.


EM BUSCA DO CÁLICE SAGRADO

Apresentados contos, lendas e teorias das mais diversas sobre a existência e saga do Santo Graal, cabe a nós, nesse momento, analisá-las confrontando com fatos históricos da conturbada Idade Média para que possamos identificar (ou simplesmente supor) a origem de tantas versões.
Segundo os contos de Boron, o Santo Graal teria passado pelas seguintes pessoas:

1) Judeus: um presente dos judeus à Cristo;
2) Jesus Cristo: em sua última ceia;
3) Poncio Pilatos: este entregou o Graal a José de Arimatéia como parte do pagamento;
4) José de Arimatéia: Recolheu o sangue de Cristo;
5) Brons: o “Rico Pescador” dos contos de Boron. Cunhado de Arimatéia que deveria partir para a Bretanha;
6) Percival: filho de Alain de Grois e neto de Brons. Foi o escolhido para ser o guardião do Santo Graal.

A história apresentada é bastante interessante e bela, com começo, meio e fim. A explicação que o herói dos contos arthurianos, Percival, é descendente direto de José de Arimatéia e é Merlin que o revela isso, explica o porque de Percival ser o único dos cavaleiros enviados por Arthur para encontrar o Santo Graal consegue encontrá-lo, que novamente desaparece, levado por Percival para ilha de Avalon.
Eis a questão: como acreditar em algo que nos remete à uma lenda? O Rei Arthur é um mito (embora se acredita ter encontrado seu túmulo em Glastonbury), Merlin é um mito, Percival é um mito, Avalon é um mito. Isso nos leva a crer que o próprio Graal seja apenas um mito.
Antes de qualquer coisa, é preciso considerar que o Graal existe e que José de Arimatéia foi seu primeiro guardião. Pois bem!... Vamos consultar a história!


Beleza.
Até a próxima.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tyketto: mais uma injustiça do rock!


É incrível como descobrimos determinadas bandas, principalmente pela maneira despretenciosa como isso as vezes acontece. No ano de 2000 eu estava prestes a me formar e de tão aplicado que era na faculdade estava apavorado com meu TFG, pois  não dava jeito de concluí-lo, quando fui pedir ajuda para o meu colega Guinther, o cabeção em Delphi da turma. O Guin também era fissurado em rock n' roll e naquela noite estava escutando um CD que comprara sei eu onde mas com um som bacana, que não agredia os ouvidos. Era o álbum Strenght in Numbers do Tyketto. Eu me achava "o conhecedor de bandas" e fiquei surpreso por nunca ter ouvido falar naquela. Foi aí que me dei por conta que, na verdade, eu não conhecia nada de hard rock, achando que o estilo se limitava a Mr. Big, Europe, TNT, Bon Jovi, Firehouse, Poison, Whitesnake, e mais algumas outras poucas. Procurando mais material do Tyketto pude conhecer esse novo universo musical que é composto por bandas essencialmente americanas, pois o hard rock tem uma influência diretíssima do country music (nada mais natural, portanto, que esse estilo musical seja predominante nos EUA). Foi nesse momento que conheci bandas como: White Lion, House of Lords, 91 Suite, Avalon, Atlantic, Danger Danger, Hardline, Final Frontier, as meninas do Vixen e... claro, o próprio Tyketto.


Pois então, vamos apresentá-la...
O Tyketto é uma banda de Nova York formada em 1991 tendo em seu line-up Danny Vaughn com seu incrível vocal, o guitarrista Brooke St. James, o baixista Jimi Kennedy e o baterista Michael Clayton Arbeeny.
Como disse, de início só conhecia o trabalho do álbum Strenght in Numbers, este sendo o segundo da banda. No entanto, a banda faz seu debut com Don't Come Easy onde emplaca a maioria de seus hits, como Forever young, Burn down inside, Wings, Seasons e a baladíssima Standing Alone.


A banda sobra em competência musical, seu ponto alto é Vaughn com seu vocal afinadíssimo e cristalino mesmo que os demais músicos não deixem a desejar. O Tyketto é enaltecido por todos os amantes do hard rock como um dos ícones do estilo.
Mas,... poxa, por que cargas d'água essa banda não ficou tão famosa se assim é tratada? A resposta é simples: O Tyketto lançou-se em 1991 e naquela época a aberração musical chamada "grunge" estava tomando conta das rádios. Todo o mundo queria ouvir a podreira dos débeis mentais do Nirvana e demais bandas que faziam o tão aclamado "som de Seattle". Graças a Deus foi só uma fase. Me penitencio até hoje por usar aqueles bermudões xadrez ridículos. Mas isso é passado (ainda bem!). Aquela foi uma fase negra para todas as bandas de hard/heavy, a excessão das gigantes que por seu porte se mantinham. Muitos projetos de bandas nesses estilos lançados naquela época foram a bancarrotas, alguns exemplos: Adrian Smith sai do Iron Maiden, tenta o Psycho Motel e acaba morrendo na praia, assim como Dee Snyder (o locão do Twisted Sister) arrisca-se com o Widowmaker e também não vai longe. Dessas duas, eu gostava mais do Widowmaker que era um heavy tradicional e grudento, bem estilo Snyder. Já o Psycho Motel... sem comentários. A única vertente de rock pesado que se sustentou foi o thrash metal, com as obras-primas do Metallica (Black Album, não mais tão thrash...), Megadeth (Rust in Piece), Slayer (Seasons in the abyss) e aqui no Brasil o estouro do Sepultura (Arise). O metal farofa então (aqueles que gastavam duas latas de laquê cada um antes de entrar no palco), também conhecidos por "Glam Metal", nem se fala. Muitas bandas foram a óbito, inclusive gravadoras que insistiram em investir nesses estilos naqueles anos.


Com esse cenário, o Tyketto não pode alcançar seu espaço merecido na mídia, sufocado pela sensação do momento que era o grunge ou então pelo também recém-nascido "rock alternativo". Por conta disso, a banda é hoje mais conhecida por ser injustiçada pela mídia do que pelo seu hard rock competentíssimo, o que é lamentável. Em outra época, o Tyketto certamente se equipararia com outros grandes do estilo como Bon Jovi e Firehouse.
É pra ver como o mercado fonográfico e a mídia que o envolve cometem erros. Em decorrência de seu lançamento num momento "inoportuno" o Tyketto somente começa a ser reconhecido aos poucos e apenas no cenário hard rock. Em 2008 foi realizado o evento Hard in Rio II, um festival musical que cultua o hard rock no Rio de Janeiro. Adivinha qual foi a atração principal?


Tyketto no Hard in Rio II
 De 1991 pra cá o Tyketto se desfez e se refez umas trocentas vezes alternando alguns músicos. Volta e meia se apresentam e fazem excursões. Estas pelo visto deram mais pilha para os caras que parecem estar na ativa de novo. Esse ano a banda anunciou contrato com a Frontiers Records para a gravação de um novo disco, previsto para sair no início de 2012. Será o primeiro lançamento exclusivamente de inéditas desde Shine, de 1995:
“Estamos trabalhando em algumas das melhores idéias que tivemos em anos. Será um som na linha de Don’t Come Easy (primeiro trabalho do grupo), mixado a novos elementos e grandes surpresas” Declarou a banda em pronunciamento oficial.
Os quatro membros originais (Danny Vaughn, Brooke St. James, Jimi Kennedy e Michael Clayton) estão envolvidos nesse retorno.
Infelizmente não é fácil achar material desses caras. Já procurei por tudo mas não acho CD, muito menos DVD deles pra comprar. O jeito foi apelar para a Internet. É uma pena, pois quem me conhece sabe que ainda curto comprar CDs e ficar saboreando o encarte enquanto ele toca no player.

É isso aí, tá dada a dica: eis uma bela banda de hard rock e indico ela para aqueles que curtem um rock n' roll bem tocado, audível e de extremo bom gosto. Fica a dica também de presente para o meu aniversário, se encontrarem, eh eh eh.
Abaixo, um videozinho do Tyketto de um de seus maiores sucessos, a baladinha Standing Alone. No YouTube tem mais.

Site oficial da banda: http://www.tyketto.de/

Valeu!