domingo, 27 de março de 2011

O Discurso do Rei

Definitivamente cinema é um bom programa para um sábado chuvoso, ainda mais proposto pela esposa que não é muito fã de cinema, mas que enfim, propôs. Embora não conhecesse ainda detalhes sobre a história do Rei George VI, obviamente que o roteiro do filme me atraiu de primeira. Então, aproveitar a promoção do "sábado maluco" onde a entrada custa a metade realmente será uma boa pedida.
Em cartaz, o filme "O Discurso do Rei", um dos grandes vencedores do Oscar esse ano.


O Príncipe Albert (Colin Firth), o Duque de York, tem problemas de fala desde a infância. A gagueira o acompanha e sempre atrapalha nas suas aparições públicas. O príncipe consulta muitos fonoaudiólogos, mas nenhum tratamento parece surtir efeito. Enquanto isso, seu pai, o Rei George V (Michael Gambom), morre e o seu irmão, o Rei Edward VIII (Guy Pearce), toma o trono. No dia de sua posse, Edward aparece ao lado de sua amante, Wallis (Eve Best), e isso é interpretado como algo de mal-gosto. Edward, então, abdica o trono que agora pertence a seu irmão mais novo. O Príncipe Albert agora é o Rei George VI. É aí que entra a figura do fonoaudiólogo Lionel Logue (Geoffrey Rush), contratado pela esposa de Albert, Elizabeth (Helena Bonham Carter).
Ele usa métodos nada convencionais e isso faz com que Vossa Alteza desconfie de seus serviços.


É muito difícil tecer uma opinião única com relação a um filme emblemático, inteligente e que nos propicia muitas idéias e opiniões. Antes de expô-las, devemos nos lembrar que o filme em questão aborda uma história real e que se passa num dos momentos mais conturbados do Império Britânico e que desenhou todo o futuro daquela nação.
A primeira das observações me remete à necessidade de um líder estadista ter o domínio da oratório. Nesse caso, não há como não me lembrar de meu falecido pai que fora político e um reconhecido líder aqui na minha cidade e de como ele fazia da sua excelente oratória sua principal ferramenta de trabalho. Fiz um comentário a minha mãe de que gostaria que o pai pudesse ter a oportunidade de assistir a este filme, mesmo que a sala de cinema não fosse tão atrativa a ele. Imaginemos então um homem que desde o nascimento é preparado para a realeza e à exposição pública e no entanto vê-se amarrado com uma tremenda limitação. Nesse caso tiro o chapéu para Colin Filth em sua atuação. Confesso que fiquei o tempo todo angustiado com a limitação de seu personagem para com a oratória e quem cheguei a me emocionar ao final do filme quando este consegue realizar seu primeiro discurso de guerra transmitido a todo o império britânico. A história conta que depois daquele ele faria muitos outros com o auxílio de seu fonoaudiólogo Logue.
A segunda observação que faço é a forma realista como foi a presentada a intimidade da família real britânica. A cena que me chamou muito a atenção foi aquela logo após a abdicação do trono pelo Rei Edward VIII onde o príncipe Albert após assinar sua coroação chega em casa e é recebido pela mulher e as filhas (a mais velha é hoje a Rainha Elizabeth II) e estas fazem reverência ao novo rei. Ou seja, mostra claramente o momento em que aquele homem deixou de ser pai e passou a ser rei, algo completamente distinto na vida da realeza.
A terceira obervação que faço é sobre a conhecida arrogância que as familias reais têm, não me referindo apenas a família real britância. Lembremo-nos que por mais de 1.000 anos essa gente nasceu e se criou com a idéia de que foram escolhidos por Deus e que não são meros mortais. De fato, meros mortais podemos dizer que não são, mas não precisamos mais engolir a idéia de que sejam divindades, nem mesmo seus compatriotas do contemporâneo.


Faço essa observação no momento em que vemos a atuação de Geoffrey Rush no papel do terapeuta do rei, um simples cidadão que nem britanico é, mas sim australiano. O embate entre Mr. Lionel e o Rei mostram tanto a impáfia da realeza frente aos cidadãos comuns.
Quanto ao filme em si, eu destaco a atuação de Geoffrey Rush e seu constante embate com o Rei George. Aliás, minha crítica vem pela injustiça feita a Rush por não ter ganho o Oscar de ator coadjuvante, talvez só pelo fato de Colin Filth já ter ganho o Oscar de melhor ator. Rush está divino e rouba a cena do início ao fim. Seus trijeitos, suas "caras & bocas" são sensacionais e ao meu ver roubam a atenção ao protagonista.
Um fato interessante que envolve o filme é que "emails anônimos" circularam entre os votantes da academia de cinema americana responsável pela eleição dos prêmios "alertando" para a postura anti-semita que o Rei George possuia durante a II Grande Guerra.
Os indícios de que o rei que conduziu a Inglaterra contra a Alemanha de Adolf Hitler era, se não um simpatizante do nazismo, ao menos um anti-semita, estariam em documentos oficiais liberados pela Casa de Windsor em 2002. São menções a documentos que recheiam um e-mail distribuído por um membro da Academia, alertando os demais votantes para a “verdade histórica que não pode ser encoberta” e sobre o qual O Discurso do Rei calaria.

Rei George VI
Os papéis tratam do apoio de George VI, numa carta escrita ao seu Ministro das Relações Exteriores, Lord Halifax, à decisão de barrar judeus que fugiram da Alemanha antes do início da guerra, em 1939, e tentaram emigrar para a Palestina, então sob o domínio da Inglaterra. “Estou contente que medidas nesse sentido estejam sendo tomadas para impedir que pessoas que abandonam seus países entrem em nossos territórios”, disse o rei. “É preciso alertar a Alemanha para verificar melhor a sua imigração.”
Quanto a isso, devemos perguntar se as posições políticas do rei devem ser consideradas numa premiação cujo filme não trata esses aspectos mas sim um problema singular de sua intimidade. Seria justo sim que então um outro filme fizesse alusão a estas posições políticas.
Além disso, não vamos nos esquecer que a academia é sabujo sionista. Basta fazer um filme sobre o holocausto e perseguição a judeus que o Oscar está garantido. Aliás, quem manda na América são os judeus.
Mas isso pode ser post para outra ocasião.


Para finalizar, devo dizer que "O Discurso do Rei" é um filme excelente. Simples por natureza, inteligente, de bom gosto e carregado de fatos históricos, deveria ser exibido em todas as escolas do mundo.
Humilde opinião de quem vos escreve.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Gamma Ray - To the Metal

Tem coisas que realmente não tem sentido. Vejam só: um cara como eu, analista de sistemas, profissional da TI, na era da Internet, MP3, IPod... ainda insiste em comprar CDs! Não será a primeira vez que serei chamado de otário. Mas o que me leva ainda a comprar aquelas caixinhas de acrilico com um CD e encarte dentro é justamente isso: o prazer de chegar em casa e abrir o plasticozinho do CD, colocar no som e apertar o play, ouvir suas faixas enquanto saboreia o encarte com as letras, imagens e outras coisas. Por mais que eu argumente serei taxado de otário, principalmente por pagar 35 pratas pela bolachinha. Mas tudo bem.
 Então...
Lá estava eu nesse sábado de manhã. Uma manhã de sábado que não precisei trabalhar resolvi dar uma volta no centro da city. Resolvi dar um pulo na Exclusive. Quem é de Santa Maria e é ligado no Metal sabe de que loja me refiro. Pois bem...saí de lá com mais um Cdzito novo: To the Metal, ultimo trabalho do Gamma Ray.

 Todos sabem que minha banda do coração é o Helloween, mas devo confessar que o Gamma Ray já conquistou um pouco minha preferência. Devo, no entanto, apresentá-la devidamente.
O Gamma Ray é uma banda alemã que surgiu em 1993 com a saída de Kay Hansen do Helloween (sacou?...) formando a banda. Kay era uma das almas do Helloween junto com Michael Weikath, tanto que depois de sua saída a banda demorou para se acertar novamente. Saiu porque segundo as más línguas, trabalhar com Mr. Weikath é muito, mas muito difícil. O fato é que Kay foi o primeiro vocalista do Helloween, cantando as músicas mais speed e cruas do primeiro álbum da banda, Walls of Jericho e também um dos compositores dos lendários Keepers of the Seven Key (part I & II) do Helloween que criaram um novo estilo de heavy metal: o Power Metal, ou simplesmente Heavy Metal Melódico, devido às inquietantes influencias de música clássica nas composições. Kay ao formar o Gamma Ray dá continuidade a abre um novo capítulo ao estilo. Não é a toa que é considerado o pai do Heavy Metal Melódico, responsável por influenciar outras bandas como Stratovarius, Blind Guardian, Sonata Arctica, Hammerfall, Rhapsody, Edguy, e por aí afora...

Tive a oportunidade de ver Mr. Hansen em ação. Ou melhor tive a oportunidade de ver todos quem eu queria ver, juntos em ação. Isso mesmo!
Em 2008 houve a turnê conjunta do Helloween e Gamma Ray. Passaram por Porto Alegre e lá estava eu: sozinho aos 31 anos, mas como se tivesse 16. Confesso que ao ver o banner do Gamma Ray e do Helloween ao fundo eu chorei. Foi um momento especial para mim, pois desde minha adolescencia eu curtia o som dos caras. E lá estava eu. Chorei, queria que meus amigos estivessem comigo, mas não podiam. Estava sozinho e chorei. Foi mágico.

As duas bandas juntas
  
Teaser da turne das duas bandas juntas
Apenas um parênteses antes de eu continuar:
Cheguei na rodoviária de calça jeans rasgada no joelho, uma camiseta do Iron Maiden e uma camisa de lã amarrada na cintura. De imediato imaginei que seria o único aborígene quando ví vários iguais a mim saindo de alguns ônibus. "Oba, não sou o único louco". Estava já eu na fila do show acima citado. Sozinho, resolvi conversar com dois caras que estavam em minha frente. Aparentavam ter minha idade, um deles usava óculos e era gordinho e outro magrão e alto e, detalhe, estavam trajados do mesmo jeito, a única coisa que não era a mesma era a camiseta: cada um com uma de uma banda diferente. Começamos a conversar e perguntei a idade deles. Um tinha 31 e o outro tinha 32. Pensei que eu fosse um tiozão naquele meio mas depois vi que eu era um cara muito dos normais. Aí resolvi perguntar o que eles faziam e um disse que trabalhava com telecomunicações e o outro era programador. Deu vontade de dizer: "dá licença, vou achar alguém diferente para conversar..". Aquilo pra mim foi incrível, meu atestado de sanidade metal, ou insanidade, vai saber...
Bom!
O Gamma Ray começou seu trabalho com diferentes formações. Destaca-se a presença nos primeiros trabalhos de Ralf Scheepers, um grandalhão musculoso de voz esganiçada que queria ser o Rob Halford, mas não era veado suficiente pra isso. Saiu da banda para formar o Primal Fear, banda que faz uma cópia discarada do Judas Priest. Com isso, Kay Hansen assume os vocais do Gamma Ray e até regrava tudo para que a coisa fique homogenea.
Hansen está longe de ser um grande vocalista. O lance dele é compor e tocar guitarra. Nessas coisas sim ele é bom, mas sua voz fecha bem com as composições da banda.
De 1998 pra cá, o Gamma Ray tem sua formação estabilizada, com Kay Hansen (voz/Guita), Henjo Richter (Guita), Dirk Schlachter (Baixo) e Dan Zimmermann (batera). Daí pra cá, é um trabalho mais prazeiroso que o outro.

Dirk, Dan, Kay e Henjo
O Gamma Ray sempre será conhecido pelo seu som pesado, melódico, com letras profundas sobre terras desconhecidas, invasões alienígenas,  armagedons, tempos de liberdades, batalhas cósmicas, etc... Mas sempre interpretadas com um censo de humor e diversão. Isso mesmo!
Quando fui conferir o show dos caras em 2008 me surpreendi e confesso: entre Gamma Ray e Helloween, o Gamma Ray fez o melhor show, pois foi o mais empolgante e o mais divertido. Também pudera, os caras são legais, bem humorados, divertidos e demonstram que estão ali por prazer acima de tudo. Adoram o público, se divertem, brincam, vivem com eles.
E com isso, ao longo de quase 20 anos o Gamma Ray persiste fazendo o melhor heavy metal que se pode conhecer: poderoso, empolgante, polido, bem tocado, clássico, de bom gosto. Não tem como não gostar.
Não tinha como não comprar To The Metal. E não me decepcionei.

Olha, o que a gente vê por aí é quando uma banda chega a uma "certa idade" parece que a coisa desacelera e as coisas ficam mais cadenceadas ou mesmo repetitivas. Vemos isso com o Iron Maiden, Kiss, Metallica, Slayer, e por aí vai. Mas não é o que acontece com o Gamma Ray.
Nesse novo álbum sobram peso, diversão, empolgação, bom gosto musical, melodia e velocidade. Esses alemães conseguem tudo isso sem se tornarem repetitivos ou mesmo cansativos.
E lá vem eles com um novo álbum cujo título é uma alusão ao que mais gostam de fazer, o heavy metal. Toda sua devoção a um estilo musical que também tornou-se um estilo de vida para muitos ao redor do plantea, marginalizado antigamente mas que hoje é sinônimo de inteligência, intelectualidade, estudo, caráter, irreverência e competência.
Devo destacar algumas faixas. All you need to know começa com uma velocidade violenta e depois cai numa melodia incrível trazendo um alto astral ao ouvir sensacional. Essa faixa tem dueto de voz com Michael Kiske, o lendário vocalista do Helloween nos tempos dos Keepers que vive falando mal do heavy metal mas já participou de inúmeros trabalhos com inúmeras bandas do gênero. Esse é mais um deles. Vai saber o que esse cara pensa. Aliás, Kiske merece um post a parte.
Depois temos o peso de Time to live e a oitentista Mother Angel. Lá na finaleira temos Deadlands que traz um teclado que me lembra The show must to go on do Queen mas que cai numa pauleira sensacional.
Enfim, To the Metal não é uma paulada, é uma martelada.
Gente, sinceramente, por mais que não se goste da barulheira do heavy metal ou do hard rock, é impossível não cantarolar após ouvir um dos refrões desse disco. Assim como os demais, esse é sim um álbum barulhento, mas tem muita melodia musical. Volto a dizer: bom gosto.
Abaixo o clip da faixa To The Metal.

E se você assistiu o clip acima e não concorda comigo é porque não gosta de heavy metal. Se você não gosta de heavy metal mas respeita e admite que ali existe música, trabalho e arte, tudo bem. Mas se você acha que tudo isso é só uma barulheira, então vai se foder!

Heavy Metal is the law!               ,\oo/

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Tale that wasn't right...

... é, uma de minhas músicas preferidas do Helloween.
Integrante do lendário álbum Keeper of the seven keys  - part I, essa faixa deixa um pouco de lado a barulheira e o peso  para dar lugar ao romantismo e a um refinado gosto musical, principalmente na interpretação vocal.
Tirei uns minutos para brincar no Google e procurar essa canção e tive duas gratas surpresas: a primeira é a música ao vivo interpretada por Michael Kiske em 1993, que gravou sua versão original de estúdio. Já a segunda é intepretada por Andy Deris em 2001, que substituiu Kiske na banda.
Essa é a grande surpresa. Quem é fã do Helloween sabe da diferença dos vocais entre Deris e Kiske. Sabe inclusive que Deris é inferior e muito limitado com relação a Kiske. Mesmo assim, a interpretação de Deris mata a pau e a meu ver é melhor que a de Kiske, apesar de toda a afinação que este último possui e domina. Andy Deris definitivamente bota mais coração na música.
Enfim, para quem ta afim de uma boa música e fazer um agrado aos ouvidos, estão aí as duas versões.
Devo dizer que eu prefiro a segunda, do Deris:


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

2001: Uma odisséia no espaço

Existem gêneros de obras literárias e cinematográficas que nos atraem, nos fascinam, nos inspiram e influenciam. Minha paixão pelo misterioso, pelo desconhecido e pelo reflexivo é conhecida. Além das coleções de livros da Agatha Christie, de Georges Simenon e de Arthur Conan Doyle, que acabam por me denunciar um aficcionado por romances policiais, não posso deixar minha paixão pela história pura e plena e também pela ficção científica. A ficção científica especulativa, aquela que tenta adivinhar como seremos no futuro baseando-se nos conhecimentos tecnológicos e científicos de hoje é, sem dúvida alguma, mais uma das minhas paixões que obviamente influenciaram minha personalidade. Não há dúvidas que este blog é um Raio-X do que e de como penso!
Se eu tivesse que relacionar 3 (apenas 3) filmes que me fizeram encostar a cabeça na poltrona e refletir sobre seu conteúdo, um deles certamente seria o clássico longa-metragem de 1968 de Stanley Kubrick 2001: Uma odisséia no espaço (2001: A Space Odyssey).

O bom de se morar ao lado do Shopping onde se tem uma filial das Loja Americanas é isso: você está entediado em casa e resolve dar uma banda lá e conferir o que tem no cesto dos DVDs em promoção. E lá estava esta obra-prima por apenas 14,99 pratas .
O filme é considerado por ninguém menos que Steven Spielberg como "o Big Bang dos filmes de ficção científica" . Para cineatas como ele, Hidley Scott e outros que exploram esse gênero, 2001: Uma odisséia no espaço é uma referência única e definitiva. Antes de 2001..., os filmes de ficção científica eram no estilo Flash Gordon com um amontoado de foguetes espaciais, armas lasers e foguetes intergalacticos.
Kubrick se adiantou no tempo quando, ao lado do famoso escritor e "futurólogo" Arthur C. Clarke, escreveu o roteiro deste filme. Não apenas por ter visualizado a chegada do homem à Lua mais de um ano antes de Neil Armstrong chegar até lá, mas também por haver realizado o primeiro filme a levantar a hipótese da inteligência artificial.
O filme narra a história desde a "Aurora do Homem" (a pré-história), onde um misterioso monolito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada à Júpiter para investigar o enigmático monolito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.
O computador HAL 9000, além de acabar se transformando no personagem principal do filme e num dos maiores vilões do cinema, possuía uma grande interação com seu operador, o Dr. David Bowman (Keir Dullea). Nota-se que o nome dado a máquina foi muito bem escolhido, visto que é formado pelas três letras que antecedem o nome da mais famosa marca de computadores do mundo: a IBM (percebeu? Antes do "I" vem o "H", antes do "B" vem o "A" e antes do "M" vem o "L"). Diz o mito que foi algo proposital, negado pela equipe, mas seria muita coincidência um computador ter uma referência tão clara assim a toa.
 O filme traça a trajetória do homem sempre abordando a evolução da espécie, a influência da tecnologia nesse crescimento e os perigos da inteligência artificial. O final, um dos mais emblemáticos da história do cinema, mostra astronautas travando uma luta mortal contra o computador - a versão moderna do confronto entre criador e criatura, que já inspirara clássicos como Frankenstein. Durante todo o filme o diretor levanta diversas questões que deixa em aberto até o fim. Para desfazer as dúvidas, Arthur C. Clarke escreveu uma seqüência em que são amarradas todas as pontas soltas: 2010: O ano em que Faremos Contato. Peter Hyans levou essa "continuação" de 2001 às telas, com resultados bem longe de memoráveis, em 1984.
A primeira vez que eu vi este filme eu não entendí absolutamente nada. Também pudera: eu tinha apenas 6 anos e estava junto com minha tia. Imaginem o que ela sofreu assistindo a esse filme comigo, na época uma atração da Globo (faz tempo!!), com uma criança que estava bem na ápoca dos "por quês". Ela se irritava simplesmente porque não conseguia entender as perguntas que eu fazia com relação ao filme pelo fato de também não ter entendido patavinas.
Passados 27 anos resolvi assistir pela cagagésima vez o filme e... continuo sem entender nada!
Então afinal de contas: o que o filme tem de tão fascinante assim?
Justamente isso...
O filme não trás respostas, mas sim perguntas. A genialidade da obra está no questionamento de nossa existência perante forças superiores que nos acompanham desde os nossos primórdios observando nosso desenvolvimento tecnológico mesmo que este ainda seja incapaz de revelar o real objetivo da existência do homem no universo.
O filme é uma aula de antropologia filosófica. Remonta nossa origem e nos perturba ao sugerir que a busca pelo desconhecido universo afora poderá ser concluída no interior do próprio ser humano. Estas são, no entanto, palavras de quem vos escreve. Tenho certeza que muitas outras conclusões poderão ser formuladas por diferentes prismas ao contemplar esta obra pioneira da ficção científica.
Embora as perspectivas tecnológicas terem sido acertadas ao citar a chegada do homem a Lua e a considerar a criação da inteligência artificial, Charles Clark considerou que colonizaríamos a Lua, faríamos viagens interplanetárias chegando a Júpiter ainda em 2001 e, no entanto, estamos em 2011 e nada disso ocorreu. Charles Clark argumenta, de maneira bem fundamentada, de que não há como prever os meandros políticos e economicos de uma civilização inteira. De fato, a obra foi escrita em plena Guerra Fria e não se imaginava que ela iria acabar da noite para o dia (lembremos que a Guerra Fria foi combustível para as corridas espaciais, e com isso o avanço tecnológico aeroespacial).
Para mim, 2001: Uma odisséia no espaço deveria ser exibido em todas as escolas de nosso país porque é uma obra única que nos convida a reflexão do papel da existência do homem e sua busca pelo desconhecido. As imagens que distribuí ao longo deste post são de cenas do filme, e mostram o quanto emblemático é o filme. O filme não é uma obra-prima pelo fato de ser inconclusivo, mas por permitir várias conclusões. Já se passaram mais de 40 anos de seu lançamento e até hoje seu texto é contemporâneo. Sem dúvidas uma obra feita a frente de seu tempo e que não tem prazo para deixar de nos perturbar. Humilde opinião de quem vos escreve...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sempre ao seu lado

Seguinte:
Se você gosta de cachorro como eu então não assista ao filme Sempre ao seu lado (Hachiko - A Dog's Story, 2009), estrelando Richard Gere e Joan Allen, a menos que esteja de bem com a vida.
Agora a noite estava de bobeira quando resolvi passear pelos canais de TV a cabo e me deparei bem no iníciozinho desse filme. Fiquei bastante receoso em assistí-lo pois tinha prometido a mim mesmo que não iria fazer isso, tal foi minha choradeira com Marley & Eu. Mas a curiosidade pela história falou mais alto, ainda mais pelo roteiro ter se baseado numa história real.
O longa é uma adaptação de uma história real, que aconteceu no Japão no início do século. Hachiko é o nome de um cachorro da raça akita que ficou famoso em todo o país depois que apareceu em reportagens de jornais que contavam sua história de lealdade ao seu dono, um professor da Universidade de Tóquio. Todos os dias Hachiko acompanhava seu amigo até a estação de trem e estava lá quando ele voltava para casa.
A história deste cachorro virou uma lenda no Japão e foi usada em escolas e casas para ensinar às crianças a importância lealdade entre amigos. Serviu também para despertar no país uma onda de criações de akitas, raça pura japonesa que estava cada vez menos popular. Há hoje na estação de Shibuya uma estátua de Hachiko, no lugar onde ele ficava esperando seu dono voltar.
O filme é, no entanto, baseado numa cidade americana com personagens americanos (tinha como ser diferente?).
Quando assisti ao trailer do filme, prometi a mim mesmo que não iria assistir o filme. Não cumpri minha promessa e me dei mal: me esvaí numa choradeira sem tamanho.
Simplesmente não há como não gostar do filme. Você pode gostar de cães ou não, basta ter coração para assistir ao filme e chorar.
O detalhe é que não nos emocionamos pelo cão em si, mas pela atitude de fidelidade que ele tem com seu dono. Ao contrário de Marley & Eu, quem faz a falta na história é o dono do cão e não o contrário.
Recomendo o filme. Não apenas pelo apego a cães que temos mas por ser um trabalho de bom gosto. É disso que estamos precisando ultimamente em nossas TVs e cinemas.

sábado, 15 de janeiro de 2011

The Big 4

Sabe aqueles sábados despretenciosos? Você resolve almoçar fora de casa naquele restaurante simples com uma boa comida aí resolve passear no shopping e ir até as Lojas Americanas para comprar umas bobeiras como CDs virgens, revistas, salgadinhos, chocolates,... aí de repente você resolve ir na sessão de CDs e DVDs musicais pensando que só irá encontrar cachaças como Luan Santana, Vitor & Leo, Calipso, Restart, NX Zero e por aí vai.... De repente... lá está!
Dezenas, duzias, centenas deles... disponíveis e bem visíveis na prateleira do DVDs internacionais.
Cara...Foi instintivo!

Não pensei duas vezes ao botar na cestinha. Custava apenas 54,00 mangos, em um box com 2 DVDs. Sim meus amigos, esperava desde meados de 2010 pelo seu lançamento: o DVD alusivo ao Big 4!
A turnê histórica das quatro maiores bandas do trash metal americano reunidas numa única turnê que varreu a Europa e foi documentada no Sonisphere Festival, em Sofia, Bulgária. A mídia já estava a muito tempo divulgando a turne com as quatro bandas e anunciando o lançamento do memorável e histórico DVD com os shows na íntegra, especialmente na Internet. Abaixo o teaser postado no YouTube:

Há muito tempo que especulava-se o encontro das 4 bandas em um show, quem diria em uma turnê. Por incrível que pareça, havia sim, alías sempre houve, aspectos que relacionavam as bandas entre si além do estilo musical. Kerry King (Slayer) já tocou no Megadeth. Dave Mustaine (Megadeth) foi o primeiro guitarrista do Metallica, e por aí vai, além de muitas arestas por serem aparadas entre esses caras.
Bom. Pelo que pudemos ver, o que foi no passado ficou no passado e todos agora formaram por um tempo uma grande família.
Inegável que essas 4 bandas fizeram história. Capitaneadas pela mais famosa delas - Metallica, fizeram uma turnê memorável onde todos foram protagonistas, embora, como já demonstrei, o Metallica fosse a principal banda, com maior divulgação, maior repertório e com o horário mais nobre dos shows. Mas nada que abalasse o espírito de fraternidade entre as bandas.
Devo ressaltar, no entanto, que este encontro, então batizado como The Big 4 (The Big Four) é referente as 4 maiores bandas de trash metal dos EUA e não do mundo. Seria injusto deixarmos de fora bandas como Kreator e Destruction (ambas alemãs). Fiquei surpreso também que o Testament não está nesse time (aí seria The Big 5). Em muitas reportagens que vi, o Testament foi considerado uma das maiores bandas de thrash metal dos EUA. Bom, deixa assim...
Fiquei ancioso para chegar em casa e botar o DVD para rodar. Foi uma ótima tarde de sábado. Me acomodei bem no sofá, o primeiro show foi do Anthrax.
Devo dizer, antes de mais nada, que conheço muito pouco de Scott Ian e sua banda, mas sem dúvida nenhuma, foi o show mais divertido do DVD. Já conhecia os clássicos como 'Anti-social' e 'Indians', e na versão apresentada estavam arrebatadores. Pra judiar mais, resolvem fazer um breve cover de 'Heaven & hell' do Black Sabbath em homenagem a Dio. Na voz de Joe Belladonna ficou simplesmente fantástico. Em síntese: o show do Anthrax foi nota 10.
Depois veio o Megadeth. Mustaine e seus novos pupilos (ele renovou a banda,... de novo!) subiram ao palco junto com o companheiro de estrada David Ellefson (que quebrou o pau com Mustaine na justiça e depois se arrependeu). É impressionante nesse caso, o profissionalismo desses caras. Eu jurava que muita coisa nas músicas dos álbuns de estudio do Megadeth eram mixagens ou efeito pós-gravação. Ao vivo, tudo foi reproduzido tal qual. Tá certo que a pedaleira das guitarras ajuda, mas a performance dos caras foi de tirar o chapéu. Adorei 'Hangar 18', 'A out le monde', 'Sweating bullets' (impagável) e  amatadora 'Symphony of Destruction'. Mesmo debaixo d'água' (pois caiu um toró) o Megadeth matou a cobra e mostrou as baquetas!

Daí veio o Slayer. A banda mais obscura dessa galera toda. Não consegui ver todos entrosados com os demais como vi com outras bandas. Vi apenas Tom Araya e Dave Lombardo junto com os demais, mas não Kerry King e Jeff Hanneman. Bem: existem "sons" e "sons" do Slayer. Na sua maioria eu não gosto muito. Apesar de eu gostar de uma música pesada, confesso que sou mais partidário daquelas músicas 'audíveis' e não são muitas que considero no Slayer. Mas destacaria, no entanto, 'Seasons in the abyss' e a clássica 'Rainning Blood'.
Finalmente veio ao palco o Metallica. Quem já assistiu ao box 'Orgulho, paixão e glória: três noites na Cidade do México' não viu nada de diferente, na verdade o show é praticamente o mesmo. Destaco na apresentação 'Welcome Home (sanitarium)' e a histórica jam conduzida por eles juntamente com as outras 3 bandas do Big Four. Foram 17 músicos no palco tocando 'Am I Evil?' do Diamond Head'. Nesse momento histórico e inesquecível pudemos ver a emoção dos participantes nos extras do DVD.
Resumo da ópera: um baita DVD com 4 das melhores bandas de música pesada do planeta.
Ao assistir a shows antológicos como esse eu fico me perguntando: qual será o futuro deste estilo musical? Pergunto isso porque simplesmente não vemos renovação. Só lixo.
Recomendo...
E nas Americanas tá baratinho.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Estragos óbvios do Wikileaks

Bom, os vazamentos de informações trocadas pela diplomacia americana pelo Wikileaks deram muito constrangimento àquele país. Mas, convenhamos, tem coisa que todo o mundo sabia!

A revista Veja de 15 de desembro de 2010 trouxe como reportagem de capa o título "Homem-Bomba" falando sobre Julian Assauge e seu polêmico site. Trouxe também uma relação suscinta de afirmações de diplomatas sobre alguns líderes mundiais. Todas elas óbvias. Achei interessante e resolvi postar algumas delas:

Cristina Kirchner - Argentina
"Seu ex-chefe de gabinete qualificou seu falecido marido, Néstor Kirchner, de 'psicopata' e 'monstro'"

Dimitri Medvedev - Rússia

"Ganhou o apelido nada lisonjeiro: Robin (o primeiro-ministro Vladimir Putin seria o Batman)"

Evo Morales - Bolívia

"Diplomatas espanhóis o chama de 'ignorante'. Permitiu ao Irã procurar urânio em seu país"

Felipe Calderón - México

"Assessores seus reconhecem que o narcotráfico controla partes do território do país"

Kim Jong-Il - Coréia do Norte

"Diplomatas chineses o compararam a uma 'criança mimada'"

Hugo Chávez - Venezuela

"Está desesperado atrás de investidores externos para a petroleira PDVSA, destruída por ele"

Silvio Berlusconi - Italia

"Irresponsável, vão e pouco eficaz. Adora 'festas selvagens'"

Bem:
Se você acompanha as notícias do mundo e o dinamismo da política internacional deve já conhecer bem os líderes supra-citados. Então eu pergunto: alguma novidade?