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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O Santo Graal Parte III: José de Arimatéia
Como prometi, mais uma parte sobre minha pesquisa sobre o "Santo Graal". No post anterior, falei sobre as menções do Graal na literatura medieval citando as obras do francês Robert de Boron que narra a história de José de Arimatéia. Resolvi neste post me aprofundar sobre esse importante personagem que pertence há muitas lendas sobre o Santo Cálice.
Pois bem...
José de Arimatéia era membro do Sinédrio, homem rico, bom e justo (Jo19:18) e que não deu sua aprovação à sentença de morte à Jesus Cristo (Lc23:50). Este desprendeu Seu corpo da cruz, com Nicodemos (Jo19:38) e depositaram-no no túmulo (Jo19:42).
Após estas passagens, Arimatéia não é mais mencionado na Bíblia.
Por que a lenda de José de Arimatéia, responsável por tomar o cálice da ceia e tê-lo usado para recolher o sangue de Cristo e depois tê-lo levado consigo? Tudo isso, deve-se à obra literária de Robert de Boron: "José de Arimatéia", onde o mesmo conta a história de José de Arimatéia e sua saga, depois da Crucificação de Cristo.
As narrativas abaixo foram retiradas da obra de Boron:
José de Arimatéia é um influente cavaleiro a serviço de Poncio Pilatos, que aprendeu a amar da Deus, mas com medo dos Judeus, manteve esse amor em segredo. Após a crucificação, pediu o corpo de Cristo a Pilatos, como recompensa por serviços prestados. Pilatos atendeu o pedido e ainda lhe deu um recipiente que os judeus tinham oferecido a Jesus e no qual este fizera sua oferenda. Depois disso, Arimatéia tirou o corpo de Cristo da Cruz, com a ajuda de Nicodemos. Quando o lavaram, as feridas começaram a sangrar e Arimatéia se lembrou do recipiente e pensou que nele as gotas seriam bem guardadas. Sepultou Jesus e levou o recipiente para casa. Os Judeus aborrecidos com o desaparecimento do corpo, por ocasião da ressurreição, prenderam Arimatéia de modo que ninguém mais o encontrasse em uma cela sem janelas onde todos os dias uma pomba se materializa deixando-lhe uma hóstia, seu único alimento durante todo o cárcere, graças ao qual sobrevive. Então Cristo lhe aparece na prisão. Arimatéia confessa o amor, mas que jamais tinha ousado falar com Ele e pede desculpas por estar sempre na companhia dos que desejavam sua morte. Jesus o consola dizendo:
"Deixei que ficastes com eles por saber que irias me prestar grandes serviços, ajudando-me onde meus discípulos não ousariam. E tu fizeste por compaixão. Tu me amaste secretamente como também eu a ti, e nosso amor se revelará a todos para prejuízo dos infiéis, porque tu terás sob tua guarda o sinal da minha morte, hei-lo aqui."
Jesus então mostra o Graal:
"Ele será teu e o guardará, assim como todos a quem o entregares. Mas os guardiões devem ser três e estes três o terão, em Nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Estes três são uma e a mesma coisa em um único Deus. Nisso deves crer."
Cristo entrega o Graal a Arimatéia e diz:
"Estás segurando o sangue das três pessoas da única divindade, que fluía das feridas do filho encarnado, que sofreu a morte para salvar a alma dos pecadores. Sabes o que ganhas com isso? Que nunca mais será feito um sacrifício, e quem souber isso será o mais amado do mundo, e a companhia dos que souberem do fato e que escreverem livros sobre o assunto será a mais procurada do que as outras pessoas."
José de Arimatéia pergunta sobre a razão de receber tal presente. Cristo responde com um interessante ensinamento sobre a missa católica:
"Tiraste-me da cruz e me puseste no teu túmulo, depois que estive na ceia na casa de Simão eu lhe disse que seria traído. Como isto aconteceu à mesa, futuramente erguerão mesas para me sacrificar. A mesa significa a cruz; os recipientes representam o túmulo. Este é o cálice onde meu corpo será consagrado na forma de uma hóstia. A pátena que colocaram representa a tampa com que fechaste o túmulo, e o pano que porão por cima, o linho que envolveu meu corpo. Deste modo até o final do mundo o significado do teu feito será conhecido..."
Boron ainda escreve:
"E depois disso, Cristo lhe ensina as palavras que não posso dizer, mesmo que quisesse, sem ter o Grande Livro onde estão escritas. Este é o Mistério da Grande Cerimônia do Graal."
Cristo diz ainda a Arimatéia que toda a vez que sentisse necessidade, deveria dirigir as três forças, que são uma e à beata mulher que carrega o filho. Jesus avisa a Arimatéia que este ainda terá que passar algum tempo no cárcere e que um dia sua libertação teria caráter milagroso e Arimatéia ficou preso mantido vivo apenas pelo Graal.
Intercala-se a lenda ao Sudário de Verônica, pelo qual Vespasiano fora curado da Lepra.
Por gratidão, os romanos Tito e Vespasiano foram a Jerusalém afim de vingar a morte do Profeta que o havia curado. Falam com Pilatos que se lembra de Arimatéia. Muitos judeus são mortos até que um revela o local de cativeiro. Assim, José é libertado e Vespasiano é batizado.
Certa vez, por não produzirem colheitas nas terras, Arimatéia se coloca a frente do Graal e pede conselhos. O Graal lhe diz que deveria encontrar os culpados e eliminá-los da comunidade. Em seguida, seu cunhado, Brons, deveria ir ao rio e trazer o primeiro peixe que pescasse, estender um pano sobre a mesa, por o Graal no meio, ao lado do peixe.
"Depois disso senta-te no teu lugar, como estava na ceia. Brons se sentará à tua direita, verás que ele se afastará de ti, de modo que haverá um lugar vago entre tu e ele. Este lugar representar o lugar de Judas, Ninguém preencherá essa vaga até que o Filho de sua irmã Enygeus e Brons tome teu lugar."
Quando o povo foi chamado à mesa, parte senta, mas muitos não conseguem encontrar lugar. Exceto pelo lugar vago. Os que estão sentado à mesa, sentem a doçura do Graal. Um deles, Pedro, pergunta aos que estão de pé ao redor se não sentiam algo de graça. Eles respondem que não, e que foi impossível se aproximar da mesa. Pedro diz:
“ Isso mostra que com um pecado, causaste a carestia que estamos sofrendo”.
Deste modo Arimatéia reconhece os pecadores:
“Por meio do Graal somos separados, porque ele não tolera pecadores em suas proximidades”.
Depois disso, a sociedade se separa, ficando os bons , a partir de então, todos os dias à mesa, na mesma hora para o mesmo culto, que eles chama de “Culto do Graal”.
Um dos recusados de nome Moys tentou sentar a mesa, no lugar vago. O chão se abriu e engoliu Moys todos perguntaram a Arimatéia o que aconteceu e ele então ajoelhou-se em frente ao Graal e perguntou. O Graal respondeu:
“José, José, o sinal que te falei agora se tornou verdade, eu te disse que o lugar deveria permanecer vago até que o terceiro homem da tua estirpe, o filho de Brons e Enygeus o ocupe”.
Brons e Enygeus tiveram 12 filhos, quando cresceram foram levados a presença de José de Arimatéia que aconselhado pelo Graal escolheu Alain de Grois, o mais moço de todos. Arimatéia mostrou o Graal e comunicou-lhe que um dia lhe nasceria um herdeiro, ao qual teria que entregar o Graal.
O recipiente falou ainda que Pedro deveria ir ao Vale de Avalon, esperar aí o filho de Alain.
Alain partiu com um grupo para evangelização para países estranhos. Pedro ainda permaneceu para receber ensinamentos sobre o Graal e ser testemunha da transferência deste para Brons, porque ele deveria ser o Guardião do Graal. Arimatéia lhe comunicou as palavras sagradas chamadas de “O Segredo do Graal” e depois disso a sentença: “A partir de agora, deve guardá-lo e por nada menosprezá-lo ou todo o desprezo e vergonha cairá sobre ti, e caro terá que pagá-lo”.
O Graal ainda disse:
”Todos os que dele ouvirem falar o chamarão de “Rico Pescador” devido ao peixe que pescou. Assim também essas pessoas devem ir ao oeste. Quando o “Rico Pescador” tiver recebido o Graal, deverá esperar o filho de seu filho para transferir e recomendá-lo ao Graal. E, quando chegar o tempo em que possa aceita-lo o significado da Trindade será realizado entre vós. E tu, porém, José, te despedirás do mundo e entrarás na alegria eterna”.
As palavras secretas José a assentou em um papel e as mostrou em seguida ao Rico Pescador. Brons permaneceu ainda por três dias com José, depois despediu com as palavras:
“Sabes bem o que levas contigo, e em que companhia andas, ninguém sabe tão bem quanto eu e tu, vai pois eu ficarei conforme ordem do meu Salvador”.
Assim se separaram e o Rico Pescador de quem desde então se fala tanto, foi para a Britânia; José, porém, foi por ordem do Senhor para o país de onde nascera e lá ficou até o fim de sua vida.Lendas em torno dos contos de Boron são formadas, como por exemplo, a de que Arimatéia, sua irmã e seu cunhado velejaram para a Inglaterra, onde ele montou a primeira igreja Cristã em Glastonbury.
Algumas lendas reivindicam que ele deixou o cálice aos cuidados do cunhado na França, enquanto a maioria das histórias contam que ele trouxe o Cálice para Glastonbury aonde foi associado às lendas locais do Graal e que lá ficou até seus últimos dias.
Entretanto, é notória a relação entre as histórias de José de Arimatéia e os contos arthurianos, principalmente os elementos que o compõem, como: a mesa e doze pessoas (doze apóstolos); a menção de Avalon; Glastonbury, onde estaria enterrado o Rei Arthur e sua esposa Guinevere, entre outros.
Segundo os contos de Boron, o Santo Graal teria passado pelas seguintes pessoas:
a) Judeus: um presente dos judeus à Cristo;
b) Jesus Cristo: em sua última ceia;
c) Poncio Pilatos: este entregou o Graal a José de Arimatéia como parte do pagamento;
d) José de Arimatéia: Recolheu o sangue de Cristo;
e) Brons: o “Rico Pescador” dos contos de Boron. Cunhado de Arimatéia que deveria partir para a Bretanha;
f) Percival: filho de Alain de Grois e neto de Brons. Foi o escolhido para ser o guardião do Santo Graal.
A história apresentada é bastante interessante e bela, com começo, meio e fim. A explicação que o herói dos contos arthurianos, Percival, é descendente direto de José de Arimatéia e é Merlin que o revela isso, explica o porque de Percival ser o único dos cavaleiros enviados por Arthur para encontrar o Santo Graal e consegue encontrá-lo, que novamente desaparece, levado por Percival para ilha de Avalon.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Varegues: um plus sobre a história dos Devoradores de Mortos
Há alguns meses atrás publiquei um post sobre o filme "13º Guerreiro", baseado no romance de Michael Crichton, que por sua vez baseou-se no nas narrativas do árabe Abn Fahdlan em suas viagens como embaixador pelo Rio Volga acima e seu encontro com um grupo de nórdicos. Eis o link para o post.
Quem já conferiu o post sabe que a história é pra lá de interessante. Tão interessante que é quase que irresistível não pesquisar um pouco mais sobre esse assunto, principalmente por aficcionados por história como eu.
Pois então....
Ao pesquisar um pouco mais sobre a história desses vikings, descubro que os mesmos descritos por Ibn Fahdlan eram também conhecidos pelo nome de varegues, e nos séculos VIII e IX colonizaram o nordeste europeu criando os principados de Kiev e Novgorod.
A Crônica Primeira lista por duas vezes os Rus' entre outros povos varegues, como os suiões (suecos), normandos, anglos, gutos (normandos era um termo usado no antigo russo para referir-se aos noruegueses, enquanto anglos pode ser interpretado como "dinamarqueses"); em alguns trechos a Crônica menciona os eslavos e os Rus' como povos distintos, porém em outros trechos mistura-os.
Historiadores ocidentais tendem a concordar com a Crônica Primária que estes varegues conseguiram organizar os povoados eslavos existentes na entidade política do Rus' de Kiev na década de 880, e deram àquela terra o seu nome. Diversos estudiosos eslavos se opõem a esta teoria da influência germânica sobre os Rus', e sugeriram cenários alternativos para esta parte da história do Leste Europeu, argumentando que o autor da Crônica, um monge chamado Nestor, teria sido empregado pela corte dos varegues. A historiografia russa inclui diversas teorias anti-normanistas, contrárias à teoria normanista de uma origem escandinava dos varegues. De acordo com o controverso acadêmico ucraniano Yuri Shilov, os varegues (Vargi) seriam uma tribo de eslavos bálticos sem qualquer relação com os vikings nórdicos.
Contrastando com a intensa influência escandinava na Normandia e nas Ilhas Britânicas, a cultura varegue não sobreviveu no Leste. Ao contrário, as classes dominantes varegues das duas poderosas cidades-estado de Novgorod e Kiev sofreram um intenso processo de eslavização no fim do século X. O nórdico antigo foi falado num determinado distrito de Novgorod, no entanto, até o século XIII.
Coincidindo com o declínio geral da Era Viking, o influxo de nórdicos a Rus' foi cessando, e os varegues acabaram sendo assimilados pelos eslavos orientais ao fim do século XI. Ainda assim, acabaram legando o nome à terra da Rus medieval e da Rússia moderna, bem como o etnônimo de sua população.Na Rússia, o termo 'varegue' continuou a ser um sinônimo para 'sueco' até o fim do século XVI.
O declínio da Era Viking também foí responsável pelo surgimento da Guarda Varegue, uma guarda mercenária em sua essência contratada por muitos governantes, para sua defesa pessoal. Mas isso é assunto pra outro post.
Resolvi escrever esse post para explicar um pouco mais como um grupo viking poderia se encontrar em árabes no séc. X, conforme as crônicas de Ibn Fahdlan e o romance escrito por Crichton.
Espero que tenham gostado
Quem já conferiu o post sabe que a história é pra lá de interessante. Tão interessante que é quase que irresistível não pesquisar um pouco mais sobre esse assunto, principalmente por aficcionados por história como eu.
Pois então....
Ao pesquisar um pouco mais sobre a história desses vikings, descubro que os mesmos descritos por Ibn Fahdlan eram também conhecidos pelo nome de varegues, e nos séculos VIII e IX colonizaram o nordeste europeu criando os principados de Kiev e Novgorod.
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| Enterro de navio de um chefe tribal Rus', tal como descrito pelo viajante árabe Ahmad ibn Fahdlan, que visitou o Rus' de Kiev no século X. Heinrich Semiradzki (1883) |
De acordo com a Crônica Primeira do Rus, compilada por volta de 1113 d.C., o povo Rus', um grupo de vikings suecos, se deslocou de Uppland, na atual Suécia, para o nordeste da Europa, onde formaram uma politeia primitiva centrada em torno de Ladoga e Novgorod, sob o comando de seu líder, Rurik, dando início assim à dinastia que levou posteriormente seu nome. Sob o comando de Oleg de Novgorod, parente de Rurik, os varegues se expandiram para o sul e capturaram Kiev, fundando o estado medieval de Rus'. Fica claro para todos que o nome do país eslavo que conhecemos hoje por Rússia é derivado do "povo Rus', de origem escandinava e, portanto, germânica.
É interessante notar, se formos mais a fundo, que, após a criação dos principados de Kiev e Novgorod pelos vikings, estes são subjugados pelas tribos eslavas da região em uma união sem precedentes, No entanto, as mesmas tribos eslavas que expulsaram os varegues da região não se entendem e provocam o caos devido aos confiltos entre elas a ponto de chamarem novamente os varegues para "governarem a eles próprios" e novamente trazer a paz.![]() |
| Arrasto do Volokut, de Nicholas Roerich |
A Crônica Primeira lista por duas vezes os Rus' entre outros povos varegues, como os suiões (suecos), normandos, anglos, gutos (normandos era um termo usado no antigo russo para referir-se aos noruegueses, enquanto anglos pode ser interpretado como "dinamarqueses"); em alguns trechos a Crônica menciona os eslavos e os Rus' como povos distintos, porém em outros trechos mistura-os.
Historiadores ocidentais tendem a concordar com a Crônica Primária que estes varegues conseguiram organizar os povoados eslavos existentes na entidade política do Rus' de Kiev na década de 880, e deram àquela terra o seu nome. Diversos estudiosos eslavos se opõem a esta teoria da influência germânica sobre os Rus', e sugeriram cenários alternativos para esta parte da história do Leste Europeu, argumentando que o autor da Crônica, um monge chamado Nestor, teria sido empregado pela corte dos varegues. A historiografia russa inclui diversas teorias anti-normanistas, contrárias à teoria normanista de uma origem escandinava dos varegues. De acordo com o controverso acadêmico ucraniano Yuri Shilov, os varegues (Vargi) seriam uma tribo de eslavos bálticos sem qualquer relação com os vikings nórdicos.
Contrastando com a intensa influência escandinava na Normandia e nas Ilhas Britânicas, a cultura varegue não sobreviveu no Leste. Ao contrário, as classes dominantes varegues das duas poderosas cidades-estado de Novgorod e Kiev sofreram um intenso processo de eslavização no fim do século X. O nórdico antigo foi falado num determinado distrito de Novgorod, no entanto, até o século XIII.
Coincidindo com o declínio geral da Era Viking, o influxo de nórdicos a Rus' foi cessando, e os varegues acabaram sendo assimilados pelos eslavos orientais ao fim do século XI. Ainda assim, acabaram legando o nome à terra da Rus medieval e da Rússia moderna, bem como o etnônimo de sua população.Na Rússia, o termo 'varegue' continuou a ser um sinônimo para 'sueco' até o fim do século XVI.
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| Mapa com as rotas de navegação e comercio pelos rios do leste europeu dominadas pelos varegues |
O declínio da Era Viking também foí responsável pelo surgimento da Guarda Varegue, uma guarda mercenária em sua essência contratada por muitos governantes, para sua defesa pessoal. Mas isso é assunto pra outro post.
Resolvi escrever esse post para explicar um pouco mais como um grupo viking poderia se encontrar em árabes no séc. X, conforme as crônicas de Ibn Fahdlan e o romance escrito por Crichton.
Espero que tenham gostado
quinta-feira, 21 de julho de 2011
O Santo Graal Parte II - O Graal e a Literatura Medieval
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| Cavaleiro, ícone constante na literatura medieval |
O curioso nesse caso, é que o surgimento das obras que narravam as demandas pelo Santo Cálice, coincidem com fatos históricos importantes para o cristianismo ocidental, como as Sagradas Cruzadas e a descobertas de locais e objetos míticos (é "mítico" mesmo, não "místico").
Praticamente todos os fatos ocorridos e relatados na Bíblia, por exemplo, estão em linguagem figurada, seja por falta de compreensão científica ou, quem sabe, pela necessidade de ocultar entre as linhas fatos ainda mais surpreendentes. Não poderíamos deixar de abordar a literatura medieval que descreve o Graal de outra forma, senão a de tentar, sob todos os aspectos, interpretar cada passagem de seus contos e trovas a fim de encontrarmos sentido junto aos acontecimentos da história oficial. Entre outras palavras: poderemos encontrar registros de existência do Santo Graal apenas em obras literárias da Idade Média.
A etimologia da palavra Graal é uma tanto duvidosa, mas costuma-se considerá-la como oriunda do latim gradalis – cálice (nada haver com a viagem de "Sangreal" do Dan Brown), e não há nenhuma confusão em cima do significado da palavra, que era de um prato ou platter trazida à mesa em varias fases durante uma refeição.
A primeira história na qual a palavra aparece foi escrita através do francês Chréstien de Troyes em sua obra “Le Conte du Graal” . A história de Chrestien estava certamente baseada em antigüidades, mas é desconhecida a fonte ou o significado da palavra Graal.
Se retrocedermos até meados dos séculos XI e XII veremos a difusão de versões e lendas do Santo Graal, e tudo começa com as obras Troyes (1180), do inglês Robert de Boron (1190) e do templário alemão Wolfran Von Eschenbach (1200). Em todos os lugares, parecia moda relatar estórias sobre o Graal, Merlin e Arthur.
Em 1187, Jerusalém caía nas mãos do Sultão Saladino , e se pregava a 3.ª Cruzada. Em 1190, Boron aparece com a obra “Le Roman deL’Estorie du Graal”. 1190 é repleto de acontecimentos: Ricardo Coração de Leão, Rei da Inglaterra, toma a Cruz (expressão da época) e adere à Cruzada. Neste mesmo ano, um incêndio em Glastonbury revela o que seria a tumba do lendário Rei Arthur e Guinevere. No ano seguinte, 1191, os monges da Abadia de Glastonbury editam “Perlesvaus” – Percival como cavaleiro e Arthur encontrando o Graal. Naquele ano os cruzados tomam São João do Acre, na Palestina. Tudo gira em torno de grandes acontecimentos.
Em 1200, um novo ciclo de histórias se inicia do Graal, com a obra “A Quest del Saint Graal” de Willian Map, que traz o herói agora como Galahad e não Percival. Neste mesmo ano, “Parzival” de Wolfran Von Eschenbach aparece. Tudo isso paralelamente com o começo da 4.ª Cruzada, desta vez contra Constantinopla.
Novamente, em 1204 uma crônica do monge de Froidmont conta a história de José de Arimatéia e o Graal, com menção ao "Livro Misterioso".
Os Contos Arthurianos
Não há como mencionarmos a lenda do Santo Graal sem considerarmos a iconografia do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda.
Como já dito, o Santo Graal foi citado em literatura pela primeira vez por Chrétien de Troyes em sua obra com o titulo traduzido de "O Conto do Graal".
Transportando para a história narrada pela obra, encontramos o rei agonizante vendo o declínio do seu reino. Em uma visão, Arthur acredita que só o Graal pode curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice, fato que geraria todas as histórias em busca do Santo Graal. É interessante notar que a água é uma constante na história do Rei Arthur. É na água que a vida começa, física e espiritualmente.
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| Arthur moribundo |
“Consola-se e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao Vale de Avalon para curar minha grave ferida”. diz o Rei.
Avalon é a mítica ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur – Caliburnius. Na Cornualha, o nome Avalon – que em galês refere-se à maçã – é relacionado com a festa das maçãs, celebrada durante o equinócio de outono. Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, onde tanto Arthur quanto sua esposa, teriam sido enterrados. A Abadia de Glastombury também é tida como lugar de conservação do Graal.
As históricas atuais do Rei Arthur incluem a lenda do Cálice de Cristo. Porém não foi sempre assim. “Algo” chamado Graal era conhecido nas histórias arthurianas, porém depois que estas histórias foram cristianizadas é que o Graal foi associado ao Cálice de Cristo. O Graal era um objeto misterioso que não era descrito em detalhes. A história contemporânea, que mencionava o Graal, através do escritor Troyes permaneceu incompleta e permitiu a muitos escritores colocar a própria interpretação deles na história. Deve-se dizer que estas lendas devem ser consideradas “pseudo-histórias”, e na pior das hipóteses fabricações românticas.
A lenda de Arthur unifica-se com a do Graal simbolizando uma época em que dedicava-se uma vida inteira em busca de ideais tais como: honra, respeitabilidade, patriotismo, nobreza e espírito, e temor a Deus.
Muitos escritores notáveis mostraram a semelhança entre os contos de folclores célticos e as histórias do Rei Arthur. Havia muitos caldeirões em contos celtas e alguns tiveram propriedades bem parecidas com as atribuídas aos do Graal como descrito nos contos Arthurianos. Um poema famoso, o Preiddeu Annwn, descreve Arthur e seus homens arriscando-se no mundo dos criminosos celtas para roubar o Caldeirão de Annwn.
O caldeirão teria a habilidade para restabelecer a vida de guerreiros mortos. Note isto na tradição cristã: o Cálice sempre é levado ou é guardado por mulheres e tem a capacidade de restabelecer vidas. Outro caldeirão, o "Caldeirão de Awen" tinha a capacidade de dar todo o conhecimento, se uma poção fosse preparada nele. Também note que na lenda de Arthur o Graal pode dar conhecimento.
Muitos autores tentaram mostrar assim que os caldeirões celtas foram de alguma forma os precursores da imagem atual do Graal.
Entretanto, embora as derivações das lendas celtas sejam populares em teoria, elas por nenhum meio explicam todos os eventos e descrições dentro dos ciclos, nem explicam o interesse súbito da crença do Graal. Embora a derivação das lendas dos caldeirões celtas sejam boas, não explicam completamente os ciclos do Graal.
É inevitável dizer da necessidade de aprofundar-se no estudo dos Contos Arthurianos para se obter mais informações sobre o súbito aparecimento do Santo Graal na literatura da Idade Média por volta do século XII. "O Conto do Graal" é um poema inacabado de 9 mil versos que relata a busca do Graal, da qual Arthur nunca participou diretamente, e que acaba suspensa. Um mito por si só. Porém, o que se pode afirmar é que "O Conto do Graal" é uma obra de ficção baseada em personagens e histórias reais que serve para fortalecer o espírito nacionalista do Reino Unido, unindo a figura de um governante invencível a um símbolo cristão.
Ao que tudo indica nas obras literárias, o cálice teria sido levado à Inglaterra, mas por quê? E por quem? Do ponto de vista literário, já foi explicado. Porém, existem outras histórias muito mais interessantes.
Os contos de Boron
As narrativas creditadas aos Contos do escritor francês Robert de Boron são uma verdadeira viagem, porém não menos interessantes e intrigantes ao mesmo tempo. Boron é um escritor medieval e usa o Graal como agente ativo em suas obras.
Exste uma lenda britânica que afirma que Cristo fez peregrinações no próprio continente europeu, alcançando a Bretanha. Diz-se que, durante a sua permanência na Cornualha, havia recebido em dádiva um cálice de um druida convertido ao cristianismo (isto entendido como “o que Cristo prega”), e por aquele objeto ele tinha um carinho especial. Após sua crucificação, José de Arimatéia quis levar o objeto, santificado pelo sangue de Cristo, ao seu antigo dono, o druida que era Merlin (realmente uma viagem), traço de união entre a religião celta e cristã.
É na obra de Robert de Boron (1190), José de Arimatéia, que o mito retrocede no tempo até chegar a Cristo e à última ceia.
Boron conta que, certa noite, José de Arimatéia é ferido na coxa por uma lança (percebe-se também, sempre presente, as referências às lanças e espadas, símbolos do fogo, tanto na história de Jesus como de Arthur). Em outra versão, a ferida é em sua genitália e a razão seria a quebra do voto de castidade. Este fato está totalmente relacionado à traição de Lancelot que seduz Guinevere, esposa de Arthur. Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal. Em um inciso, ele deduz que o artefato já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus:
“Eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (...) as coisas ditas e feitas pelos grandes sábios. Naquele tampo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome”.
Robert de Boron.
José de Arimatéia teria sido, portanto, o primeiro custódio do Graal. O segundo teria sido seu genro, Brons. Algumas seitas sustentam que o ciclo do Graal não estará fechado enquanto não aparecer o terceiro custódio. Esta resposta parece vir com "A Demanda do Santo Graal", de autor desconhecido, que coloca Galahad como o único entre os cavaleiros merecedor de se tornar Guardião do Santo Graal.
Robert de Boron conta que os judeus, ao descobrirem José de Arimatéia, prendem-no em uma cela sem janelas onde todos os dias uma pomba se materializa deixando-lhe uma hóstia, seu único alimento durante todo o cárcere, graças ao qual sobrevive. José esconde a taça que Jesus usou na Última Ceia, ao redor da qual sentam doze pessoas (semelhança À lenda da Távola Redonda). No lugar de Cristo é colocado um peixe. O assento de Judas Escariotes fica vazio e quando alguém tenta ocupá-lo é “devorado pelo lugar” de forma misteriosa. A partir desse momento esse assento é conhecido como a Cadeira Perigosa (mesmo nome do assento da Távola Redonda que também ficava vazio e só poderia ser ocupado pelo “cavaleiro mais virtuoso do mundo". Em algumas versões, é o assento de Lancelot que sempre fica vazio. Lancelot, o mais dedicado cavaleiro, que assim como Judas em relação a Jesus, era o que mais amava Arthur e também o que o traiu). José de Arimatéia funda sua congregação em Glastonbury. No lugar onde teria edificado sua Igreja com barro e palha há os restos de uma abadia muito posterior.
O Graal-taça é tido como um episódio místico e o Graal-pedra como a matéria do conhecimento cristalizado em uma substância. Já o Graal-Livro é a própria tradição primordial, a mensagem escrita.
De acordo com vários contos, as histórias do Graal se originaram de um grande livro misterioso que teria sido compilado, em 717, por um eremita nascido em Gales. Este copiara o livro original escrito pelo próprio Jesus Cristo. Em outros casos, o autor era um astrônomo pagão-judeu, de nome Flegetanis que lia nos astros a história do Graal.
Robert de Boron, que acreditam ter escrito “Le Roman de L’Estorie dou Graal ” começa a história usando essas fontes. Inicia com José de Arimatéia, vai para Merlin, e termina em Percival.
Em José de Arimatéia, Boron diz:
“ Jesus ensinou a José de Arimatéia as palavras secretas que ninguém pode contar nem escrever sem ter lido o Grande Livro no qual elas estão consignadas, as palavras que são pronunciadas no momento da consagração do Graal”.Robert de Boron
De fato, em "Le Grand Graal", continuação da obra de Boron por um autor anônimo, o Graal é associado – ou realmente é – um livro escrito por Jesus, o qual a leitura só pode se entender – ou iluminar – quem está nas graças de Deus.
“ As verdades de fé que este contém não podem ser pronunciadas por língua mortal sem que os quatro elementos sejam agitados. Se isso acontecesse realmente, os céus diluviariam, o ar tremeria, a terra afundaria e a água mudaria de cor”.
O Graal-livro teria um terrível poder.
O Graal-Pedra de Eschenbach
Toda a história é mudada quando contada pelo alemão Wolfram Von Eschenbach (1200), quase ao mesmo tempo que Boron. Em "Parzifal", Eschenbach coloca na mão dos Cavaleiros Templários a guarda do Graal que não é uma taça, mas sim uma pedra. Sobre uma verde esmeralda, ela trazia o desejo do Paraíso: era o objeto que chamava-se Graal. Para Eschenbach, o Graal era realmente uma pedra preciosa, pedra de luz trazida do céu pelos anjos. Ele imprime ao nome Graal uma estreita dependência com as forças cósmicas. A pedra é chamada Exillis ou Lapis exillis, Lapis ex coelis, que significa “pedra caída do céu”, ou para outros autores como Lapis erillis (Pedra do Senhor).
É a referência à esmeralda na testa de Lúcifer, que representava seu terceiro olho. Quando Lúcifer, o Anjo da Luz, se rebelou e desceu aos mundos inferiores, a esmeralda partiu-se e sua visão passou a ser prejudicada. Lúcifer conduziu um terço dos anjos em uma revolta contra Deus mas foi derrotado. Um dos três pedaços ficou em sua testa, dando-lhe a visão deformada que foi a única coisa que lhe restou. Outro pedaço caiu ou foi trazido à Terra pelos anjos que permaneceram neutros durante a rebelião. Mais tarde, o Santo Graal teria sido escavado neste pedaço. Compara-se o Graal-Pedra de Eschenbach com a não menos mítica Pedra Filosofal que transformava metais comuns em ouro, homens em reis, iniciados em adeptos, matéria e transmutação, seres humanos e sua transformação.
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“Muitos comentadores argumentam que a história de Parzifal contém, de modo oculto, uma descrição astrológica e alquímica sobre um indivíduo que é transformado de corpo grosseiro em formas mais e mais elevadas”.
Malcon Godwin
Nesta obra que é um retrato da Idade Média – feito por quem sabia muito bem do que estava falando – reconhece-se uma verdadeira ordem de cavalaria feminina, na qual se vê Esclarmunda, a virgem guerreira cátara, trazendo o Santo Graal, precedida de 25 mulheres segurando tochas, facas de prata e uma mesa talhada em uma esmeralda. Na descrição do autor da cena de Parzival, há um castelo cujo proprietário é o personagem chamado de "rei-pescador". Lemos:
“Em seguida apareceram duas brancas virgens, a Condessa de Tenabroc e uma companheira, trazendo dois candelabros de ouro; depois uma duquesa e uma companheira, trazendo dois pedestais de marfim; essas quatro primeiras usavam vestidos de escarlate castanho; vieram então quatro damas vestidas de veludo verde, trazendo grandes tochas, em seguida outras quatro inocentes donzelas; traziam duas facas de prata sobre uma toalha. Enfim, apareceram seis senhoritas, trazendo seis copos diáfanos cheios de bálsamo que produzia uma bela chama, precedendo a Rainha Despontar de Alegria; esta usava um diadema, e trazia sobre uma almofada de achmardi verde (uma esmeralda) o Graal, 'superior a qualquer ideal terrestre."
Wolfram Von Eschenbach
Observações quanto às obras
Chréstien de Troyes escrevera o seu "O Conto do Graal" em 1128. Wolfram afirmava com grande segurança que a versão da história do Graal de Chréstien é errada, enquanto que a sua é fiel porque é baseada sobre "informações privilegiadas". Tais informações (...) veio de um certo "Kyot de Provence" (Provence, região sul da França, onde se localiza a cidade de Troyes).
Então, como fez Troyes a preceder Wolfram? É provável que o poeta tenha recebido algumas informações de qualquer fonte desconhecida templária.
Na cidade de Troyes, São Bernardo traçou as regras da Ordem Templária, que havia, por sua vez, estreitos relacionamentos com tal cidade (moradia de Troyes). É difícil sustentar que, ninguém, em uma cidade assim importante para os cavaleiros, fosse a corrente do reencontro do Graal por parte dos mesmos. Se Chrétien vem ao conhecimento somente de um fragmento da história, é fácil que tenha nesse momento princípio para escrever o seu " O Conto do Graal", sob a base de um fato, construindo um poema em versos sobre o cálice.
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| Bernardo de Claraval |
"...uma garota muito bonita, bem adornada, vinha com valetes e tinha entre as mãos um graal. Quando foi entrar na sala com o graal que portava, se difunde uma luz que se torna em clarão, como estrelas quando se eleva o sol e a lua (...). O graal que vinha era de fato do ouro mais puro. Haviam pedras incrustadas de muitas espécies, as mais ricas e preciosas que são do mar ou da terra. Nenhuma poderia comparar-se às pedras que rodeavam o graal...".
O comportamento de Perceval é verdadeiramente desconcertante:
"De frente aos dois convidados uma outra vez passa o graal, mas a jovem não pergunta a quem o serve (...) Ele tem desejo de sabê-lo, mas pensa que terá tempo de pergunta-lo amanhã a um dos valetes da corte, de manhã quando deixará a senhora e toda a sua gente".
O que instigou a jovem a calar-se, e não prontamente a lhe informar? Chrétien não motiva o comportamento de Perceval, e depois que a sua obra continua incompleta, o fato acaba ainda mais ambíguo.
Troyes parece referir-se não ao cálice utilizado por Cristo durante a última ceia nem por Arimatéia depois de Sua morte, mas uma comum taça de mesa. Ele, de fato, o define "um graal" e não como "o Graal". Além disso, é provável que Chrétien não tenha nunca visto o Graal: não há prova do fato que ele o descreve como sendo uma peça de ouro com pedras incrustadas.
Que Cristo tenha utilizado um cálice com este valor na última ceia é bastante improvável. Todos esses elementos levam a considerar o poema de Troyes um ótimo trabalho literário, decadente, mas do ponto de vista histórico, excelente. Não obstante isto é possível que a leitura de Perceval revele um fundo de verdade que pode ser ajudado a localizar a relíquia. Se existir uma...
Wolfram von Eschembach, que podia usufruir uma fonte como a de Guyot, diretamente em contato com a família italiana de Monferrato (outro post sobre eles, lá na frente...), ataca os erros e dos absurdos textos dos poetas franceses, iniciando seu poema sublinhando o fato de que a versão de Troyes estava errada, se bem que, "Parzifal" não pode ser lido como um rigoroso documento histórico. A isso devem ser distintos os aspectos simbólicos daquelas histórias, e é necessário reconhecer em algumas passagens, referências a fatos e lugares reais.
É fato que todas as obras que citam a existência do Santo Graal são também as origens das teorias. Robert de Boron, em suas inúmeras obras, faz citações sobre o Graal e, através destas, ilustra outras teorias sobre sua existência. Desta forma, confunde-se e torna-se difícil classificar as teorias de existência do Santo Graal com meros contos que o ilustram, podendo-se afirmar que as obras literárias são, na verdade, teorias escritas de sua existência.
Nossa busca não termina aqui. O proximo post será sobre José de Arimatéia. Aguardem...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O Santo Graal
Eu sei...
Estava demorando...
Aqueles que me conhecem já deviam ter se perguntado quando eu finalmente iria começar a escrever sobre esse assunto. Também pudera, sou conhecido por ser aficcionado desde minha adolescência pelo Graal e isso significa um certo tempinho.
Na verdade o interesse pelo assunto Graal vem desde exatamente meu 13 anos quando assisti um dos meus filmes favoritos: "Indiana Jones e a Ultima Cruzada". Tá eu sei, o filme é uma baita fria, mas não dá pra dizer que não é legal, ainda mais pela mística do personagem Indiana Jones, coisa e tal...
O assunto do Cálice de Cristo remonta muitas passagens na minha formação, em especial em todas as lendas medievais que Lord Baden Powell fundamentou boa parte do movimento escoteiro e, como todos sabem, minha juventude foi passada todinha junto a um Grupo Escoteiro, uma das melhores coisas que meus pais puderam me propiciar.
Os ideais da cavalaria medieval, os códigos de honra e tudo o mais sempre me fascinaram, além dos fatos históricos intrigantes e misteriosos que cercam a lenda do Cálice de Cristo. Todos esses elementos levaram a uma vasta pesquisa por livros e pela web.
O interesse pela lenda do Sacro Cálice rendeu um belo material de mais de 120 páginas digitadas e um site que mantive por 4 anos, mas me enchi do saco em mantê-lo (escrever sempre sobre um mesmo assunto cansa!), além do fato de ser cada vez mais difícil deixar o site como a gente quer em provedor gratuíto.
Entretanto, o que mais me deixou puto foi a onda de interesse sobre o assunto logo após o lançamento do Best-Seller de Dan Brown, "O Codigo Da Vinci". Que fique bem claro: pesquisei com afinco sobre o Santa Graal desde 1997, muito antes, portanto, desse sensacionalista publicar seus livros afirmando criminosamente que seus conteúdos eram factuais (vide meu post sobre O Codigo Da Vinci). Ou seja, o assunto Graal pra mim não é nada novo e não surgiu ontem ou logo após ler um livro de modinha.
Esse será meu primeiro post, na verdade um post de apresentação, de uma série destes sobre o assunto Graal. Tentarei compilar e condensar o máximo de informação naquilo que é mais interessante sobre a lenda. Quero voltar a escrever sobre o assunto e compartilhar um pouco mais sobre os diversos ramos dessa magnífica história.
Uma relíquia é, geralmente, um membro decepado de algum santo, como a mão de São Sebastião ou a cabeça de São Paulo. Conforme os preceitos cristãos, Cristo foi ressuscitado e partiu para o céu, sendo assim, uma relíquia também poderá ser tudo aquilo que Ele tenha usado ou simplesmente tocado. A coluna em que foi torturado, a Cruz, o Sudário de Turim, a Lança de Longino, os pregos e a Coroa de Espinhos. Tudo isso foi encontrado, catalogado, registrado e avaliado... mas e o Graal?
Bom, para que possamos ter um princípio em nossa "Demanda do Santo Graal", deveremos recorrer aos livros e conhecer onde e em que momento o Santo Cálice foi mencionado pela primeira vez na história. Isso significa que deveremos mergulhar no universo literário medieval e conhecer um pouco mais sobre os poemas e contos cavaleiriços daquele período. Estudar sobre o Santo Cálice é estudar os princípios do que veio a ser a cultura cristã ocidental.
Mas isso já é assunto para um proximo post sobre o assunto...
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Mr. Big - Bar Opinião - Porto Alegre 10/07/2011
O mais bacana de quem tem mais de 30 anos é poder curtir velhas bandas. Aquelas que a gente ouvia quando ia para a escola no walkman com fitas K7 trocadas entre amigos. É..., não tinha Internet, nem mp3, muito menos IPod. Os CDs recém se popularizavam e os vinis ainda circulavam a todo o vapor. Assistir a um show daqueles caras então... Nos anos 80 e 90 o RS recém estava entrando para a rota dos shows de rock. Ir a um show como o do Mr. Big ou de qualquer outra banda de renome, só se aventurando a São Paulo ou Rio de Janeiro.
E quando que eu poderia imaginar que um dia eu veria essa banda tocando ao vivo. Até hoje me recordo da primeira vez que a vi: foi assistindo ao clipe da música "To Be With You" no programa "Disk MTV" em 1992 com 15 anos (caco de memoria hein??!!). Foi trocando fitas e discos que conheci um pouco mais da banda. A maior lembrança que tenho dela foi a vez que fui a praia (1992,1993,...) e por várias tardes passava a mão no walkman e saía para caminhar com uma fita tocando suas músicas pela beira-mar. Sozinho, sem comer ninguém, obvio...
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| Mr. Big nos anos 90 |
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| Mr. Big hoje |
Antes de continuar a falar sobre minha experiência no show, deixa eu apresentar a banda. O Mr. Big é uma banda norte-americana formada em 1988. Começou em 1989 como um quarteto integrando Paul Gilbert (também conhecido pela galera por Paulo Gilberto, guitarra), Billy Sheehan (baixo), Eric Martin (vocal) e Pat Torpey (bateria). Todos os membros eram considerados, principalmente por colegas músicos e críticos, extremamente habilidosos e com um talento acima da média em seus respectivos instrumentos. A banda sofreu alguns revezes com a saída de Gilbert, mas caracterizou-se também com o seu retorno e hoje está na ativa com a formação original. E muito bem obrigado.
Eu devo confessar que nunca fui um grande fã da banda e por isso nunca acompanhei de perto seu trabalho. Na verdade tive apenas algumas fitas (as já citadas K7) e o CD "Pump ahead". Eu nem sabia que o Gilbert tinha saído e voltado da banda, só pra ter uma idéia.
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| Sheehan, Torpey, Eric e Paulo Gilberto |
Mesmo assim não há como dizer que a banda seja desconhecida. As baladas que permeavam as rádios FM ressonam nos ouvidos da mulherada. Um show de rock com essa banda seria um bom programa para um casal na faixa dos 30 anos, seja para relembrar os clássicos da adolescencia, seja para presentear a esposa com baladas açucaradas, so que dessa vez tocadas ao vivo.
A chance veio com um toque da parceria. Fiquei sabendo pelos MSN da vida que em Porto Alegre teria um show do Mr. Big, divulgando seu novo álbum: "What if..." no Bar Opinião com o principal atrativo: "formação original". Então, lá fomos...
Estava receioso com minha esposa. Apesar dela gostar de algumas músicas, não sabia como seria sua aceitação quanto ao show. Minha intenção era levá-la a um show de rock, pois eu frequentemente vou a PoA para assistir shows, mas sempre só. Queria não apenas que ela me acompanhasse, mas que curtisse. Bem,... deu certo!!
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| Galera da excursão |
Valeu cada centavo das 260 pratas gastas nos ingressos. Os véios detonaram! Para resumir a resenha do show pode-se afirmar o seguinte: sensacional. Não me refiro apenas à performance excepcional dos caras, mas uma competência ímpar em afinação de instrumentos e de equalização da sonorização do evento. Cara, o som estava ótimo e a fidelidade com que as músicas foram tocadas para com as versões de estudio foi fantástica.
Afora os aspectos, digamos "técnicos" do show, gostaria de lembrar as inúmeras pessoas que simplesmente choraram durante a apresentação da banda. E não eram minininhas loucas pra tocar no Paulo Gilberto não, eram barbados, cabeludos, coroas... todos com a mesma emoção de quem vos escreve: a de poder estar curtindo ao vivo uma banda que marcou com sua sonoridade sua adolescencia e juventude. Definitivamente pudemos voltar aos 16!
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| Foto by Kelen |
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| Foto by Kelen |
O mais legal da apresentação da banda foi a forma como os músicos ficaram a vontade com o público. A sensação que tinhamos era de que eles estavam se divertindo mais que nós. Não sei se isso deveu-se ao fato de estarmos num lugar bonito, de boa infraestrutura e pequeno como é o Bar Opinião, a ponto de ficar aconchegante para quem se apresenta, bem proximo do público. O fato é que eles botaram pra quebrar e da forma como se doaram, imaginamos que, se eles fizessem sempre assim, não aguentariam uma turnê inteira. Por isso nossa crença de que ali foi um momento especial pra eles também.
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| Paulo Gilberto em ação. Foto by Kelen |
Os caras tocaram 1:45min. Voltaram para o bizz, tocaram mais 4 músicas e depois ficaram se bobeando com a galera, trocando de instrumentos e lugares e tocando clássico so rock como "Smoke on the water" do Purple. Animaram e "se" animaram. O show foi diversão pura.
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| Foto by Kelen |
O Mr. Big esbanjou alegria, energia, simpatia e emoção. Quem foi, quem conferiu, tenho certeza de que nunca mais se esquecerá pois pra mim até agora a ficha não caiu direito.
Um registro sobre o evento deve ser feito. Constatei naquela noite que no Opinião haviam mais santamarienses que numa noite de Expresso 362 no Absinto. Que coisa incrível. Ponto pra nós, pois to começando a achar que somos uma das cenas mais roqueiras do estado.
Ponto negativo da excursão foi a volta, onde um peidorreiro misterioso resolveu agir. Foi uma salva de 4 ou 5 tiros onde não conseguimos identificar a origem. O efeito químico foi tão grande que em determinados momentos o motora teve que ligar o ar condicionado da van para uma ventilação emergencial. Este episódio deixou uma pergunta que não quer calar: "Who farted?"
O Mr. Big matou a pau no Opinião em Porto. Abaixo uma provinha pra vocês.
Humilde opinião de quem vos escreve.
domingo, 3 de julho de 2011
Devoradores de Mortos
Todos sabem da minha paixão sobre história, refletida no gosto dos filmes do gênero, principalmente aqueles onde espadas e escudos são empunhados. Filmes como Cruzada, Coração Valente, O Feitiço de Aquila, Rei Arthur, foram assistidos e reassistidos por quem vos escreve para posteriormente terem suas histórias vasculhadas na web e nos livros com o intuito de se entender melhor todo o contexto dos roteiros além de conhecer o que realmente se passou naquele momento da história que a narrativa do filmes trás. Foi assim que aprendi história e que me apaixonei por ela. É claro que já ví muita bomba, por isso fiquei meio exigente para com esse tipo de filme pois o contexto histórico deve ser condizente com a narrativa, o filme Gladiador por exemplo, me decepcionou um pouco pois muitos detalhes históricos foram ignorados em prol de um roteiro mais empolgante e cativante, a fim de entreter e não de ensinar.
Pois bem, há anos atrás (quando eu ainda frequentava locadoras de filmes) me deparei com o título: O 13º Guerreiro (Titulo original: The 13th Warrior), filme estrelado com Antonio Banderas com produção de 1999. Achei estranho nunca ter ouvido falar desse filme na mídia, principalmente pelo fato de ter o Banderas no elenco, e sua sinopse dizia o seguinte: Em 922, Ahmed Ibn Fahdlan (Antonio Banderas), um poeta e cortesão árabe foi nomeado embaixador na terra de Tossuk Vlad, uma região longínqua ao norte. Ahmed acaba por entrar em contato com um grupo de vikings. Ao tornar-se hospede no acampamento viking, toma conhecimento de que foi escolhido para combater os Wendol, um terror que mata vikings e os devora, pois uma vidente decidiu que treze guerreiros deveriam lutar contra estes terríveis inimigos, mas o décimo terceiro não poderia ser um homem do norte. Assim, Ibn Fadlan se vê lutando ao lado dos vikings em um embate que dificilmente será vencido por eles. Aí começa a narrativa pra lá de empolgante dessa demanda. O grupo de vikings parte para socorrer outro reino viking do norte assolado pelos demônios wendol. Não vou mais contar sobre o roteiro do filme por que essa não é minha intenção.
Adorei o filme, embora a mídia e o público não tenham recebido a produção muito bem. Foi um fracasso de bilheteria e a crítica caiu de pau no Banderas pela atuação fraquíssima além de condenarem o roteiro por desviar o foco onde o personagem mais interessante da trama seria o líder viking, Buliwyf e não Ahmed. Aí é que tá o detalhe.
Pois bem, há anos atrás (quando eu ainda frequentava locadoras de filmes) me deparei com o título: O 13º Guerreiro (Titulo original: The 13th Warrior), filme estrelado com Antonio Banderas com produção de 1999. Achei estranho nunca ter ouvido falar desse filme na mídia, principalmente pelo fato de ter o Banderas no elenco, e sua sinopse dizia o seguinte: Em 922, Ahmed Ibn Fahdlan (Antonio Banderas), um poeta e cortesão árabe foi nomeado embaixador na terra de Tossuk Vlad, uma região longínqua ao norte. Ahmed acaba por entrar em contato com um grupo de vikings. Ao tornar-se hospede no acampamento viking, toma conhecimento de que foi escolhido para combater os Wendol, um terror que mata vikings e os devora, pois uma vidente decidiu que treze guerreiros deveriam lutar contra estes terríveis inimigos, mas o décimo terceiro não poderia ser um homem do norte. Assim, Ibn Fadlan se vê lutando ao lado dos vikings em um embate que dificilmente será vencido por eles. Aí começa a narrativa pra lá de empolgante dessa demanda. O grupo de vikings parte para socorrer outro reino viking do norte assolado pelos demônios wendol. Não vou mais contar sobre o roteiro do filme por que essa não é minha intenção.
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| Ibn Fadlan em combate contra os Wendol |
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| Buliwyf |
O filme baseia-se no romance Devoradores de Mortos (titulo original Eaters of the Dead), de Michael Crichton (o cara que escreveu os roteiros de Parque dos Dinossauros e Assédio Sexual). O romance em que o filme se baseia é, por sua vez, inspirado pela tradução para inglês do relato real do árabe Ibn Fadlan das suas viagens Rio Volga acima, no século X.
É óbvio que me dediquei a pesquisar mais sobre esse relato histórico, lendo muito a respeito na web. Minha alegria então quando estava na praia, de férias quando, ao visitar uma livraria a procura de um bom livro me deparei com um exemplar do Devoradores de Mortos. Em dois dias o livro foi destrinchado, associando cada passagem do livro ao filme assistido e reassistido inúmeras vezes, mas sem enjoar uma vez sequer.
Não precisa dizer o quanto é valorosa tal narrativa do ponto de vista histórico. Na verdade, o manuscrito de Ibn Fadlan representa o mais antigo relato conhecido de uma testemunha ocular da vida e da sociedade viking. É um documento extraordinário, que descreve em vívidos detalhes acontecimentos ocorridos ha mais de mil anos. Claro que o manuscrito não sobreviveu incólume a este enorme espaço de tempo. Crichton, ao escrever o romance, faz uma compilação de diversas versões e fragmentos encontrados relativos à mesma narração. São textos encontrados em diversos pontos da Europa, como na Rússia, Grécia e Dinamarca.
E o fascínio dessa obra não pára por aí. Mas para explicar mais um aspecto interessante dessa saga, devo remontar brevemente a obra ao lembrar que a narrativa trata do confronto entre o grupo de 13 guerreiros (12 vikings e 1 árabe) e os wendol, também conhecidos como "os devoradores de mortos". Então, os wendol são os vilões na história.
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| Ataque wendol noturno à aldeia viking |
Históricamente, a palavra wendol é muito antiga, tão velha quanto quaisquer dos povos do país do norte e quer dizer "a névoa negra". Para os nórdicos, significa uma névoa que tráz, sob a coberta da noite, demônios negros que assassinam, matam e comem a carne dos seres humanos. Os demônios são peludos e repulsivos ao toque e ao cheiro; são ferozes e astutos; não falam a língua de nenhum homem e ainda assim conversam entre si; chegam com a bruma da noite e desaparecem de dia - para onde nenhum homem ousava seguir.
Ao finalizar a leitura da obra, deparei-me com uma citação interessante: a de que os wendol combatidos pelos vikings pudessem vir a ser uma subespécie humana conhecida como "Homem de Neadertal". Uma avaliação geral sobre os aspectos descobertos relativos ao Homem de Neadertal com a redescoberta do contato de Ibn Fadlan com "os monstros da névoa" (sua descrição destas criaturas sugestiva da anatomia Neadertal) levanta a questão: a forma Neadertal desapareceu de fato da terra milhares de anos atrás, ou esses homens primitivos permaneceram nos tempos históricos?
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| Wendol |
A ponderação final na obra ainda afirma que, objetivamente, não existe uma razão a priori para negar que um grupo Neadertal pudesse ter sobrevivido muito depois numa região isolada da Escandinavia. Em qualquer caso, esta pressuposição é a que melhor se ajusta à descrição do texto árabe.
Eis minha volta ao blog, com um post sobre um livro e um filme que recomendo, principalmente para aqueles fascinados em história e antropologia. Mesmo que não se goste dessas coisas, convenhamos: é pra lá de interessante!
Recomendo que se leia o livro antes de assistir o filme. A história é apaixonante. Abaixo um videozinho do filme.
Humilde opinião de quem vos escreve.
domingo, 8 de maio de 2011
Show do Helloween & Stratovarius
Porto Alegre, 03 de maio de 2011.
Demorei mas voltei...
E lá fomos nós mais uma vez para o um show do Helloween e do Stratovarius. Ambas as bandas eu já havia assistido seus respectivos shows. Foi a segunda vez que pude apreciar estas ao vivo em Porto.
Quem me conhece sabe. Mas devo dizer que esses shows são mais importantes pra mim do que simplesmente pelo fato de curtir uma banda ou um estilo musical em especial. Acontece que minha adolescência e juventude foram totalmente embaladas pelas músicas desses caras.
Quando adolescente, ou mesmo quando jovem universitário, poder curtir essas bandas dessa forma, indo aos seus shows era bem mais complicado. Além de não ter grana, a vinda dessas bandas eram raridade. Somente agora, de uns 10 anos para cá é que a frequência de shows internacionais, e em especial de bandas heavy metal, estão saindo do eixo Rio-Sampa e caindo em Porto Alegre, Curitiba, e por aí vai. Até mesmo porque é um bom negócio para eles pois está na rota para a realização de shows em Montevideo e Buenos Aires.
Me lembra brevemente o primeiro show que fui do Helloween em 2008. Era uma turnê em conjunto com o Gamma Ray. Foi a primeira vez que me aventurei a assisti-los, em outras ocasiões fiquei sabendo tardiamente que iriam se apresentar em Poa. Não tinha contato com excursões nem com pessoas interessadas no show em Santa Maria, meus amigos ou não tinham disponibilidade como a minha ou não curtiam mais esse tipo de som. Por isso naquela vez fui só, de ônibus e de taxi. Ao entrar no Pepsi, chorei ao ver o enorme banner do Gamma Ray e do Helloween, e senti em estar sozinho para curtir o show. Já no show do Stratovarius em 2009 foi diferente, pois conheci uma piazada metaleira e com eles fui de excursão, e pude curtir o show com uma turma, Dessa vez também foi assim.
Nessa excursão já conhecia o Marlon, que tá sempre organizando excursões como essa, e algumas das pessoas que foram na anterior. A grande maioria jovens, bem mais jovens que eu, mas não mais empolgados para assistir àqueles dois shows juntos. Convidei o Marcus e depois fiquei sabendo queo Rafael também iria ao show. Nesse caso teriamos dois dinossauros do rock na excursão.
Em 2008 na fila do show do Helloween conheci dois caras da mesma idade que eu. Me fizeram perceber que eu era mais normal do que imaginava. Percebi isso também nesse show. Aliás, nessa nossa idade (30 e poucos anos) ir a um show desses é muito mais prazeiroso. A gente curte muito mais, principalmente pelo fato de não precisar ficar cuidando de seu bolso e poder beber quantas cervejas quiser ou comer o que quiser. Nessa oportunidade, por exemplo, ficamos passando o tempo no aeroporto Salgado Filho, que fica ao lado do Pepsi, pois chegamos umas duas horas antes do show. A espera então foi também prazeirosa, embora o shopp tenha sido um pouco superfaturado. rssss
Então chegou o horário proximo do show e fomos para a fila no Pepsi.
O Pepsi On Stage é uma casa de shows. Desde quando o conheci em 2008 no show do Helloween tive a nítida sensação de que o a pista era mais limpa que o palco. Não imaginava a educação do público metaleiro ser tão bacana. Vi um cara terminar seu copão de cerveja e caminhar uns 4 metros até o lixo. Isso em um show é coisa rara, convenhamos... E dessa vez também não foi diferente. É, sem dúvida nenhuma, uma casa de show de primeiro mundo.
O show do Stratovarius teve o mesmo nível que em 2009 quando os vi no Opinião. Muito bons, muito competentes, mas... sem Timo Tolkki na guitarra não é a mesma coisa, definitivamente. Uma pena eu não poder ter visto Tolkki no Stratovarius, pois com sua saída a banda perdeu qualidade musical. Isso é fato. Mas, tirando também o fato de Jörn Michael se perder um pouco no tempo da bateria, a execução de seus clássicos compensaram toda e qualquer expectativa frustrada quanto ao show. Foi sim um showzaço.
Abaixo um trecho que gravei do show dos caras, quando tocavam "Kis of Judas":
Logo depois veio o show do Helloween. Cara...
Definitivamente separou os homens das crianças. O Helloween simplesmente deu uma aula de heavy metal. Não tem como comparar a qualidade entre as bandas. Embora cada uma com um estilo e uma história característica, a superioridade musical e performática do Helloween é indiscutível. Tanto, que não me preocupei em gravar nada, apenas tirar umas fotos para registrar o acontecimento. Queria mesmo era assistir o show.
Também não dá para comparar o show do Helloween de 2008 com o de agora. O passado foi muito inferior, tanto que o show do Gamma Ray, que abriu para o Helloween, ofuscou a apresentação da banda. Mas dessa vez foi diferente, bem diferente...
Pra início de conversa o novo álbum da banda, "7 Sinners", é uma paulada de heavy metal e este show corresponde a sua turnê de divulgação. O medley tocado das músicas que compõem a trilogia "Keeper of the seven keys" foi impecável e atiçou nossos sentimentos saudosistas. A execução de "Forever and one" de forma ácústica também foi incrível. O final foi arrebatador com a execução perfeita de "I want all".
Não dá pra dizer que o show do Helloween teve algum momento tediante. O setlist foi de judiar. E tudo isso ajudado por uma produção impecável. O som estava perfeito!
Mas o mais legal foi a demonstração de carinho com o público que a banda demonstrou. Durante a semana alguns fãs trocaram mensagens via web de que iriam ao show de jaleco ou avental, fazendo alusão à música "Dr. Stein". Comentamos isso durante a viagem e fomos todos unânimes de que era uma babaquice, uma idiotice. Durante a fila e no próprio show vimos inúmeras pessoas de avental e jaleco na platéia. Durante o bis da banda veio a música "Dr. Stein". Se só fosse tocada com perfeição já seria o suficiente, o que foi, mas a principal surpresa foi a "invasão" do público de jaleco ao palco, junto da banda para o final de sua apresentação.
Então, os "idiotas" subiram ao palco com a banda, e nós... eh eh eh
Não tenham dúvidas de que se o Helloween, e por que não o Stratovarius, voltarem a Porto Alegre, lá estarei. Ah, e tem Blind Guardian em setembro. Lá vamos nós.
Como disse, para mim show do Helloween é especial. Dessa vez foi mais especial ainda pois contei com a parceria do Marcus, amigo de mais de 15 anos e que também curte metal como eu. Proximo do final do show, nos olhamos e um breve abraço nos demos. Eu, e tenho certeza que ele também por alguns instantes, voltei ao tempo e reviví nossos churrascos regados a cerveja e Helloween.
Ao final do show não poderia deixar de ir embora sem passar na banquinha e comprar uma camiseta da turnê. Isso é passou a ser tradição.
Happy happy Helloween, Helloween...
Set-list:
Stratovarius:
01. Infernal Maze
02. Eagleheart
03. Phoenix
04. The Kiss of Judas
05. Winter Skies
06. Under Flaming Skies
07. Paradise
08. Darkest Hours
09. Speed of Light
10. Hunting High and Low
11. Black Diamond
Helloween:
01. Are You Metal?
02. Eagle Fly Free
03. Steel Tormentor
04. Where the Sinners Go
05. World of Fantasy
06. I’m Alive
07. You Stupid Mankind
08. Forever and Ove (Neverland)
09. A Handful of Pain
10. Keeper of the Seven Keys/The King for a 1000 Years/Halloween
11. I Want Out
12. Ride the Sky
13. Future World
14. Dr. Stein
Demorei mas voltei...
E lá fomos nós mais uma vez para o um show do Helloween e do Stratovarius. Ambas as bandas eu já havia assistido seus respectivos shows. Foi a segunda vez que pude apreciar estas ao vivo em Porto.
Quem me conhece sabe. Mas devo dizer que esses shows são mais importantes pra mim do que simplesmente pelo fato de curtir uma banda ou um estilo musical em especial. Acontece que minha adolescência e juventude foram totalmente embaladas pelas músicas desses caras.
Quando adolescente, ou mesmo quando jovem universitário, poder curtir essas bandas dessa forma, indo aos seus shows era bem mais complicado. Além de não ter grana, a vinda dessas bandas eram raridade. Somente agora, de uns 10 anos para cá é que a frequência de shows internacionais, e em especial de bandas heavy metal, estão saindo do eixo Rio-Sampa e caindo em Porto Alegre, Curitiba, e por aí vai. Até mesmo porque é um bom negócio para eles pois está na rota para a realização de shows em Montevideo e Buenos Aires.
Me lembra brevemente o primeiro show que fui do Helloween em 2008. Era uma turnê em conjunto com o Gamma Ray. Foi a primeira vez que me aventurei a assisti-los, em outras ocasiões fiquei sabendo tardiamente que iriam se apresentar em Poa. Não tinha contato com excursões nem com pessoas interessadas no show em Santa Maria, meus amigos ou não tinham disponibilidade como a minha ou não curtiam mais esse tipo de som. Por isso naquela vez fui só, de ônibus e de taxi. Ao entrar no Pepsi, chorei ao ver o enorme banner do Gamma Ray e do Helloween, e senti em estar sozinho para curtir o show. Já no show do Stratovarius em 2009 foi diferente, pois conheci uma piazada metaleira e com eles fui de excursão, e pude curtir o show com uma turma, Dessa vez também foi assim.
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| Galera da excursão |
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| Rafael, Marcus e eu na frente do Pepsi. Os dinossauros do rock |
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| Nós no Salgado Filho |
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| "É nóis na fila" |
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| Eu, Marlon, Marcus e Rafael |
Abaixo um trecho que gravei do show dos caras, quando tocavam "Kis of Judas":
Logo depois veio o show do Helloween. Cara...
Definitivamente separou os homens das crianças. O Helloween simplesmente deu uma aula de heavy metal. Não tem como comparar a qualidade entre as bandas. Embora cada uma com um estilo e uma história característica, a superioridade musical e performática do Helloween é indiscutível. Tanto, que não me preocupei em gravar nada, apenas tirar umas fotos para registrar o acontecimento. Queria mesmo era assistir o show.
Também não dá para comparar o show do Helloween de 2008 com o de agora. O passado foi muito inferior, tanto que o show do Gamma Ray, que abriu para o Helloween, ofuscou a apresentação da banda. Mas dessa vez foi diferente, bem diferente...
Pra início de conversa o novo álbum da banda, "7 Sinners", é uma paulada de heavy metal e este show corresponde a sua turnê de divulgação. O medley tocado das músicas que compõem a trilogia "Keeper of the seven keys" foi impecável e atiçou nossos sentimentos saudosistas. A execução de "Forever and one" de forma ácústica também foi incrível. O final foi arrebatador com a execução perfeita de "I want all".
Não dá pra dizer que o show do Helloween teve algum momento tediante. O setlist foi de judiar. E tudo isso ajudado por uma produção impecável. O som estava perfeito!
Mas o mais legal foi a demonstração de carinho com o público que a banda demonstrou. Durante a semana alguns fãs trocaram mensagens via web de que iriam ao show de jaleco ou avental, fazendo alusão à música "Dr. Stein". Comentamos isso durante a viagem e fomos todos unânimes de que era uma babaquice, uma idiotice. Durante a fila e no próprio show vimos inúmeras pessoas de avental e jaleco na platéia. Durante o bis da banda veio a música "Dr. Stein". Se só fosse tocada com perfeição já seria o suficiente, o que foi, mas a principal surpresa foi a "invasão" do público de jaleco ao palco, junto da banda para o final de sua apresentação.
Então, os "idiotas" subiram ao palco com a banda, e nós... eh eh eh
Não tenham dúvidas de que se o Helloween, e por que não o Stratovarius, voltarem a Porto Alegre, lá estarei. Ah, e tem Blind Guardian em setembro. Lá vamos nós.
Como disse, para mim show do Helloween é especial. Dessa vez foi mais especial ainda pois contei com a parceria do Marcus, amigo de mais de 15 anos e que também curte metal como eu. Proximo do final do show, nos olhamos e um breve abraço nos demos. Eu, e tenho certeza que ele também por alguns instantes, voltei ao tempo e reviví nossos churrascos regados a cerveja e Helloween.
Ao final do show não poderia deixar de ir embora sem passar na banquinha e comprar uma camiseta da turnê. Isso é passou a ser tradição.
Happy happy Helloween, Helloween...
Set-list:
Stratovarius:
01. Infernal Maze
02. Eagleheart
03. Phoenix
04. The Kiss of Judas
05. Winter Skies
06. Under Flaming Skies
07. Paradise
08. Darkest Hours
09. Speed of Light
10. Hunting High and Low
11. Black Diamond
Helloween:
01. Are You Metal?
02. Eagle Fly Free
03. Steel Tormentor
04. Where the Sinners Go
05. World of Fantasy
06. I’m Alive
07. You Stupid Mankind
08. Forever and Ove (Neverland)
09. A Handful of Pain
10. Keeper of the Seven Keys/The King for a 1000 Years/Halloween
11. I Want Out
12. Ride the Sky
13. Future World
14. Dr. Stein
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