domingo, 8 de maio de 2011

Show do Helloween & Stratovarius

Porto Alegre, 03 de maio de 2011.


Demorei mas voltei...
E lá fomos nós mais uma vez para o um show do Helloween e do Stratovarius. Ambas as bandas eu já havia assistido seus respectivos shows. Foi a segunda vez que pude apreciar estas ao vivo em Porto.
Quem me conhece sabe. Mas devo dizer que esses shows são mais importantes pra mim do que simplesmente pelo fato de curtir uma banda ou um estilo musical em especial. Acontece que minha adolescência e juventude foram totalmente embaladas pelas músicas desses caras.
Quando adolescente, ou mesmo quando jovem universitário, poder curtir essas bandas dessa forma, indo aos seus shows era bem mais complicado. Além de não ter grana, a vinda dessas bandas eram raridade. Somente agora, de uns 10 anos para cá é que a frequência de shows internacionais, e em especial de bandas heavy metal, estão saindo do eixo Rio-Sampa e caindo em Porto Alegre, Curitiba, e por aí vai. Até mesmo porque é um bom negócio para eles pois está na rota para a realização de shows em Montevideo e Buenos Aires.
Me lembra brevemente o primeiro show que fui do Helloween em 2008. Era uma turnê em conjunto com o Gamma Ray. Foi a primeira vez que me aventurei a assisti-los, em outras ocasiões fiquei sabendo tardiamente que iriam se apresentar em Poa. Não tinha contato com excursões nem com pessoas interessadas no show em Santa Maria, meus amigos ou não tinham disponibilidade como a minha ou não curtiam mais esse tipo de som. Por isso naquela vez fui só, de ônibus e de taxi. Ao entrar no Pepsi, chorei ao ver o enorme banner do Gamma Ray e do Helloween, e senti em estar sozinho para curtir o show. Já no show do Stratovarius em 2009 foi diferente, pois conheci uma piazada metaleira e com eles fui de excursão, e pude curtir o show com uma turma, Dessa vez também foi assim.
Galera da excursão
Nessa excursão já conhecia o Marlon, que tá sempre organizando excursões como essa, e algumas das pessoas que foram na anterior. A grande maioria jovens, bem mais jovens que eu, mas não mais empolgados para assistir àqueles dois shows juntos. Convidei o Marcus e depois fiquei sabendo queo Rafael também iria ao show. Nesse caso teriamos dois dinossauros do rock na excursão.

Rafael, Marcus e eu na frente do Pepsi. Os dinossauros do rock
Em 2008 na fila do show do Helloween conheci dois caras da mesma idade que eu. Me fizeram perceber que eu era mais normal do que imaginava. Percebi isso também nesse show. Aliás, nessa nossa idade (30 e poucos anos) ir a um show desses é muito mais prazeiroso. A gente curte muito mais, principalmente pelo fato de não precisar ficar cuidando de seu bolso e poder beber quantas cervejas quiser ou comer o que quiser. Nessa oportunidade, por exemplo, ficamos passando o tempo no aeroporto Salgado Filho, que fica ao lado do Pepsi, pois chegamos umas duas horas antes do show. A espera então foi também prazeirosa, embora o shopp tenha sido um pouco superfaturado. rssss

Nós no Salgado Filho
Então chegou o horário proximo do show e fomos para a fila no Pepsi.

"É nóis na fila"
O Pepsi On Stage é uma casa de shows. Desde quando o conheci em 2008 no show do Helloween tive a nítida sensação de que o a pista era mais limpa que o palco. Não imaginava a educação do público metaleiro ser tão bacana. Vi um cara terminar seu copão de cerveja e caminhar uns 4 metros até o lixo. Isso em um show é coisa rara, convenhamos... E dessa vez também não foi diferente. É, sem dúvida nenhuma, uma casa de show de primeiro mundo.

Eu, Marlon, Marcus e Rafael
O show do Stratovarius teve o mesmo nível que em 2009 quando os vi no Opinião. Muito bons, muito competentes, mas... sem Timo Tolkki na guitarra não é a mesma coisa, definitivamente. Uma pena eu não poder ter visto Tolkki no Stratovarius, pois com sua saída a banda perdeu qualidade musical. Isso é fato. Mas, tirando também o fato de Jörn Michael se perder um pouco no tempo da bateria, a execução de seus clássicos compensaram toda e qualquer expectativa frustrada quanto ao show. Foi sim um showzaço.
Abaixo um trecho que gravei do show dos caras, quando tocavam "Kis of Judas":


Logo depois veio o show do Helloween. Cara...
Definitivamente separou os homens das crianças. O Helloween simplesmente deu uma aula de heavy metal. Não tem como comparar a qualidade entre as bandas. Embora cada uma com um estilo e uma história característica, a superioridade musical e performática do Helloween é indiscutível. Tanto, que não me preocupei em gravar nada, apenas tirar umas fotos para registrar o acontecimento. Queria mesmo era assistir o show.
Também não dá para comparar o show do Helloween de 2008 com o de agora. O passado foi muito inferior, tanto que o show do Gamma Ray, que abriu para o Helloween, ofuscou a apresentação da banda. Mas dessa vez foi diferente, bem diferente...
Pra início de conversa o novo álbum da banda, "7 Sinners", é uma paulada de heavy metal e este show corresponde a sua turnê de divulgação. O medley tocado das músicas que compõem a trilogia "Keeper of the seven keys" foi impecável e atiçou nossos sentimentos saudosistas. A execução de "Forever and one" de forma ácústica também foi incrível. O final foi arrebatador com a execução perfeita de "I want all".


 Não dá pra dizer que o show do Helloween teve algum momento tediante. O setlist foi de judiar. E tudo isso ajudado por uma produção impecável. O som estava perfeito!
Mas o mais legal foi a demonstração de carinho com o público que a banda demonstrou. Durante a semana alguns fãs trocaram mensagens via web de que iriam ao show de jaleco ou avental, fazendo alusão à música "Dr. Stein". Comentamos isso durante a viagem e fomos todos unânimes de que era uma babaquice, uma idiotice. Durante a fila e no próprio show vimos inúmeras pessoas de avental e jaleco na platéia. Durante o bis da banda veio a música "Dr. Stein". Se só fosse tocada com perfeição já seria o suficiente, o que foi, mas a principal surpresa foi a "invasão" do público de jaleco ao palco, junto da banda para o final de sua apresentação.
Então, os "idiotas" subiram ao palco com a banda, e nós... eh eh eh


Não tenham dúvidas de que se o Helloween, e por que não o Stratovarius, voltarem a Porto Alegre, lá estarei. Ah, e tem Blind Guardian em setembro. Lá vamos nós.
Como disse, para mim show do Helloween é especial. Dessa vez foi mais especial ainda pois contei com a parceria do Marcus, amigo de mais de 15 anos e que também curte metal como eu. Proximo do final do show, nos olhamos e um breve abraço nos demos. Eu, e tenho certeza que ele também por alguns instantes, voltei ao tempo e reviví nossos churrascos regados a cerveja e Helloween.
Ao final do show não poderia deixar de ir embora sem passar na banquinha e comprar uma camiseta da turnê. Isso é passou a ser tradição.
Happy happy Helloween, Helloween...

Set-list:

Stratovarius:
01. Infernal Maze
02. Eagleheart
03. Phoenix
04. The Kiss of Judas
05. Winter Skies
06. Under Flaming Skies
07. Paradise
08. Darkest Hours
09. Speed of Light
10. Hunting High and Low
11. Black Diamond

Helloween:
01. Are You Metal?
02. Eagle Fly Free
03. Steel Tormentor
04. Where the Sinners Go
05. World of Fantasy
06. I’m Alive
07. You Stupid Mankind
08. Forever and Ove (Neverland)
09. A Handful of Pain
10. Keeper of the Seven Keys/The King for a 1000 Years/Halloween
11. I Want Out
12. Ride the Sky
13. Future World
14. Dr. Stein

domingo, 17 de abril de 2011

Symfonia


Há alguns meses eu já esperava o lançamento do trabalho do tal Symfonia, uma banda de heavy metal melódico ("banda" é um substantivo do gênero feminino, então por que temos o hábito de chamar as bandas pelo artigo "o"?) formada por, digamos, "supermúsicos" deste estilo.
Aliás, o termo heavy metal melódico foi cunhado no início dos anos 90 com o aparecimento de bandas heavy metal européias influenciadas principalmente pelo Iron Maiden e pelo Helloween  (com suas definitivas obras, os álbuns Keeper of the Seven Keys part I e II). Surgiram então expoentes deste estilo, como: Stratovarius, Blind Guardian, Rhapsody, Angra, Gamma Ray, Sonata Arctica, Hammerfall, Edguy, Nightwish, etc. Com o andar dos anos formou-se o termo "power metal" para rotular o estilo sinfônico destas bandas de heavy metal devido ao fato de que algumas delas carregavam seus trabalhos de elementos líricos medievais, evocando assim elementos da cultura européia desta época. As músicas passam então a narrar batalhas medievais, cavaleiros, espadas, dragões, castelos, magia, e por aí vai... O celeiro destas bandas é até hoje o continente europeu, em especial a Alemanha e Finlândia, onde já se possui infraestrutura (estúdios, gravadoras,...) e mercado próprio para esse gênero.
Pois bem, voltamos ao Symfonia.
O anúncio deste projeto capitaneado pelo finlandês Timo Tolkki trouxe alvoroço à cena metálica por trazer um line-up simplesmente espetacular, um verdadeiro "dream team" do heavy metal. Nada menos do que Tolkki (ex-Stratovarius/Revolution Renaissance) nas guitarras, André Matos  (ex-Angra/Shaman) no vocal, Jari Kainulainen (ex-Stratovarius) no baixo, Uli Kusch (ex-Helloween/Masterplan/Gamma Ray) na bateria e Mikko Härkin (ex-Sonata Arctica) nos teclados. Não precisamos dizer que há uma pontinha de orgulho tupiniquim ao vermos o nome do André Matos como interprete vocal. Quem já é apreciador do estilo e acompanha o heavy metal brazuca conhece seu belo trabalho. Lembremos, no entanto, que Matos não é marinheiro de primeira viagem e já é conhecido no cenário internacional. Além da própria projeção do Angra na Europa e Japão, Matos também já participou em trabalhos junto a projetos como o "Avantasia" (opera rock do Tobias Sammet), Epica, com Luca Turilli, entre outros.
Kusch, Tolkki, Matos, Kainulainen e Härkin
A idéia do projeto partiu, segundo a versão oficial, de encontros informais entre André Matos e Timo Tolkki. Esses músicos, por coincidência estavam morando na Escandinávia, Andre Matos e Timo Tolkki que já se conheciam há um certo tempo, vinham se encontrando por lá, e desses encontros casuais acabou surgindo a idéia desse projeto que foi batizado de Symfonia. Decidiram então, unir forças com os outros conceituados músicos do metal e por o projeto a frente.
Ao que tudo indicaria, teriamos então uma super banda. E o que esperar de uma super banda? Ora, um super álbum com super músicas. Mas para alguns não foi bem assim...
Talvez pelo fato de se criar um espectativa muito grande a crítica não poupou e caiu de pau sobre o álbum de debut, intitulado "In Paradisum". Não se poupou munição para metralhar o trabalho que, ao meu ver, não é nada ruim e merece ser ouvido com um relativo apreço.


Bom, nem havia ouvido faixa alguma do trabalho e a capa do álbum já me chamou a atenção. Parecia um novo álbum do Stratovarius e com isso, dei uma risadinha. A impressão que tive ao começar a audição não se distanciou da primeira.
Os motivos que me levaram a vincular esse trabalho com os do Stratovarius são óbvios. Timo Tolkki era líder e praticamente o único compositor do Stratovarius. Com obras definitivas do Stratovarius no currículo, como o album "Visions", a identidade musical de Tolkki é facilmente encontrada neste trabalho. Sinceramente, ao ouvir os primeiros acordes do novo álbum me lembrei exatamente dos dias áureos do Stratovarius. Hoje, o Stratovarius já lançou dois álbuns sem Tolkki, que se afastou da banda devido aos quebra-paus internos com o resto dos integrantes havendo inclusive briga judicial. Dá pra ver nitidamente que os álbuns "Polaris" e recentemente o "Elysium" estão longe do polimento, criatividade e harmonia dos trabalhos antigos do Stratovarius. Claro, Tolkki não está mais lá e com isso a banda perdeu em muito qualidade musical. Mas isso é assunto para outro post.
Tolkki é o grande compositor do Symfonia, mas não sem a participação ativa de André Matos. A contribuição de Matos às músicas está na verdade mais nítida na forma de interpretação das questões. A formação clássica de Matos junto com a sua brasilidade dão um aspecto menos frio às músicas do trabalho, típico dos músicos escandinavos. Evidente que Matos contribui para as composições, principalmente onde podemos encontrar violoncelos e demais toques sinfônicos nas composições. Não dá pra dizer que há elementos do Angra no álbum porque os principais compositores da banda eram Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt e Matos também tem apenas participações nos retoques finais das músicas.
Devo dizer que existem faixas em que Matos está com seu vocal chato pra cacete. Além disso, em todo o álbum ouço um André Matos longe de sua melhor fase, seja nos vocais do Viper ou nos vocais do Angra (no álbum "Angels Cry" ele simplesmente mata a pau).  Entretanto, André Matos está longe de ser um vocalista ruim e sua voz no contexto do trabalho está bem colocada, fazendo com que o som do Symfonia flua de maneira limpa, cristalina, de forma a agradar os apreciadores do heavy metal melódico.

André Matos e Timo Tolkki
Como já havia dito, a crítica caiu de pau no primeiro trabalho da banda. Ao que pude ler foram formuladas duas grandes críticas ao álbum "In Paradisum". A primeira fala que por ser uma banda de heavy metal melódico (eu odeio o rótulo "power metal") ela simplesmente..."não inovou". Isso é compreensível tendo em vista a enorme e desgastante exposição do gênero nos anos 90 onde o mercado de heavy metal era totalmente voltado a essa vertente. E convenhamos: o que surgiu de bandinha de heavy metal melódico ruim naquela época não foi fácil, pois para fazer esse estilo musical os músicos devem ser muito bons. Então o argumento da alta exposição do estilo e da falta de inovação até procede, mas... O Iron Maiden inova?  E quem tenta inovar muitas vezes dá com os burros n'água, cito o Metallica nesse caso. Portanto, dizer que a banda não inovou seria uma injustiça para seu primeiro trabalho o qual ainda não pode determinar uma identidade musical para o grupo.
A segunda grande crítica é que foi uma banda formada num momento ruim, onde o heavy metal melódico não está mais no centro das atenções como nos anos 90, devido ao que já dissemos anteriormente.
As críticas até possuem certa fundamentação, mas não podemos julgar o trabalho de uma banda que simplesmente faz música de acordo com a formação músical de seus músicos. Ser fiel a um estilo musical não significa não inovar, e foi isso que o Symfonia propôs.


 Então aqui vai minha opinião com relação ao primeiro trabalho do Symfonia: é bom! Gostei, se encontrar o CD em uma loja eu certamente o comprarei. As músicas foram todas compostas com bom gosto e com um capricho nos seus arranjos musicais. Vejamos algumas faixas:
 "I walk in neon" beira ao pop, mas com uma levada empolgante.  O vocal do Matos, assim como nas outras músicas, é bem colocado e bem desenvolvido. "Rhapsody in black" é uma faixa que alterna em melodia e peso, um riff que faz com que o pezinho comece a bater no chão.
Mas para mim a melhor de todas é a faixa título "In Paradisum". Na sincera, ao escutá-la pela primeira vez, parecia que estava escutando o álbum "Elements" do Stratovarius. É puro Timo Tolkki!
Por fim, tenho só uma ressalva no projeto Symfonia: a de que me parece que realmente é só um projeto. Analisando o histórico dos músicos podemos perceber que alguns não gostam muito de esquentar banco ou simplesmente encaram a música como um business apenas. Não que estejam errados mas não vejo aquela paixão pela banda como se fossem uma família, mas apenas um projeto profissional. André Matos foi do Viper, Angra, criou o Shaman, arriscou carreira solo e agora ta com o Synfonia. Timo Tolkki saiu do Stratovarius brigando, criou o Revolution Renaissance que não rendeu como queria e agora está com o Synfonia. Uli Kusch foi Gamma Ray, ficou um bom tempo no Helloween, criou o Masterplan com Jörn Lande e Roland Grapow (também ex-Helloween) e agora o Symfonia. Apenas Kainulainen e Härkin não pularam de galho em galho nos ultimos tempos.
Espero que "In Paradisum" seja de fato apenas um trabalho de lançamento da banda e que o Symfonia ainda produza muita música de qualidade, de forma a calar a boca de seus críticos.
Humilde opinião de quem vos escreve.

domingo, 27 de março de 2011

O Discurso do Rei

Definitivamente cinema é um bom programa para um sábado chuvoso, ainda mais proposto pela esposa que não é muito fã de cinema, mas que enfim, propôs. Embora não conhecesse ainda detalhes sobre a história do Rei George VI, obviamente que o roteiro do filme me atraiu de primeira. Então, aproveitar a promoção do "sábado maluco" onde a entrada custa a metade realmente será uma boa pedida.
Em cartaz, o filme "O Discurso do Rei", um dos grandes vencedores do Oscar esse ano.


O Príncipe Albert (Colin Firth), o Duque de York, tem problemas de fala desde a infância. A gagueira o acompanha e sempre atrapalha nas suas aparições públicas. O príncipe consulta muitos fonoaudiólogos, mas nenhum tratamento parece surtir efeito. Enquanto isso, seu pai, o Rei George V (Michael Gambom), morre e o seu irmão, o Rei Edward VIII (Guy Pearce), toma o trono. No dia de sua posse, Edward aparece ao lado de sua amante, Wallis (Eve Best), e isso é interpretado como algo de mal-gosto. Edward, então, abdica o trono que agora pertence a seu irmão mais novo. O Príncipe Albert agora é o Rei George VI. É aí que entra a figura do fonoaudiólogo Lionel Logue (Geoffrey Rush), contratado pela esposa de Albert, Elizabeth (Helena Bonham Carter).
Ele usa métodos nada convencionais e isso faz com que Vossa Alteza desconfie de seus serviços.


É muito difícil tecer uma opinião única com relação a um filme emblemático, inteligente e que nos propicia muitas idéias e opiniões. Antes de expô-las, devemos nos lembrar que o filme em questão aborda uma história real e que se passa num dos momentos mais conturbados do Império Britânico e que desenhou todo o futuro daquela nação.
A primeira das observações me remete à necessidade de um líder estadista ter o domínio da oratório. Nesse caso, não há como não me lembrar de meu falecido pai que fora político e um reconhecido líder aqui na minha cidade e de como ele fazia da sua excelente oratória sua principal ferramenta de trabalho. Fiz um comentário a minha mãe de que gostaria que o pai pudesse ter a oportunidade de assistir a este filme, mesmo que a sala de cinema não fosse tão atrativa a ele. Imaginemos então um homem que desde o nascimento é preparado para a realeza e à exposição pública e no entanto vê-se amarrado com uma tremenda limitação. Nesse caso tiro o chapéu para Colin Filth em sua atuação. Confesso que fiquei o tempo todo angustiado com a limitação de seu personagem para com a oratória e quem cheguei a me emocionar ao final do filme quando este consegue realizar seu primeiro discurso de guerra transmitido a todo o império britânico. A história conta que depois daquele ele faria muitos outros com o auxílio de seu fonoaudiólogo Logue.
A segunda observação que faço é a forma realista como foi a presentada a intimidade da família real britânica. A cena que me chamou muito a atenção foi aquela logo após a abdicação do trono pelo Rei Edward VIII onde o príncipe Albert após assinar sua coroação chega em casa e é recebido pela mulher e as filhas (a mais velha é hoje a Rainha Elizabeth II) e estas fazem reverência ao novo rei. Ou seja, mostra claramente o momento em que aquele homem deixou de ser pai e passou a ser rei, algo completamente distinto na vida da realeza.
A terceira obervação que faço é sobre a conhecida arrogância que as familias reais têm, não me referindo apenas a família real britância. Lembremo-nos que por mais de 1.000 anos essa gente nasceu e se criou com a idéia de que foram escolhidos por Deus e que não são meros mortais. De fato, meros mortais podemos dizer que não são, mas não precisamos mais engolir a idéia de que sejam divindades, nem mesmo seus compatriotas do contemporâneo.


Faço essa observação no momento em que vemos a atuação de Geoffrey Rush no papel do terapeuta do rei, um simples cidadão que nem britanico é, mas sim australiano. O embate entre Mr. Lionel e o Rei mostram tanto a impáfia da realeza frente aos cidadãos comuns.
Quanto ao filme em si, eu destaco a atuação de Geoffrey Rush e seu constante embate com o Rei George. Aliás, minha crítica vem pela injustiça feita a Rush por não ter ganho o Oscar de ator coadjuvante, talvez só pelo fato de Colin Filth já ter ganho o Oscar de melhor ator. Rush está divino e rouba a cena do início ao fim. Seus trijeitos, suas "caras & bocas" são sensacionais e ao meu ver roubam a atenção ao protagonista.
Um fato interessante que envolve o filme é que "emails anônimos" circularam entre os votantes da academia de cinema americana responsável pela eleição dos prêmios "alertando" para a postura anti-semita que o Rei George possuia durante a II Grande Guerra.
Os indícios de que o rei que conduziu a Inglaterra contra a Alemanha de Adolf Hitler era, se não um simpatizante do nazismo, ao menos um anti-semita, estariam em documentos oficiais liberados pela Casa de Windsor em 2002. São menções a documentos que recheiam um e-mail distribuído por um membro da Academia, alertando os demais votantes para a “verdade histórica que não pode ser encoberta” e sobre o qual O Discurso do Rei calaria.

Rei George VI
Os papéis tratam do apoio de George VI, numa carta escrita ao seu Ministro das Relações Exteriores, Lord Halifax, à decisão de barrar judeus que fugiram da Alemanha antes do início da guerra, em 1939, e tentaram emigrar para a Palestina, então sob o domínio da Inglaterra. “Estou contente que medidas nesse sentido estejam sendo tomadas para impedir que pessoas que abandonam seus países entrem em nossos territórios”, disse o rei. “É preciso alertar a Alemanha para verificar melhor a sua imigração.”
Quanto a isso, devemos perguntar se as posições políticas do rei devem ser consideradas numa premiação cujo filme não trata esses aspectos mas sim um problema singular de sua intimidade. Seria justo sim que então um outro filme fizesse alusão a estas posições políticas.
Além disso, não vamos nos esquecer que a academia é sabujo sionista. Basta fazer um filme sobre o holocausto e perseguição a judeus que o Oscar está garantido. Aliás, quem manda na América são os judeus.
Mas isso pode ser post para outra ocasião.


Para finalizar, devo dizer que "O Discurso do Rei" é um filme excelente. Simples por natureza, inteligente, de bom gosto e carregado de fatos históricos, deveria ser exibido em todas as escolas do mundo.
Humilde opinião de quem vos escreve.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Gamma Ray - To the Metal

Tem coisas que realmente não tem sentido. Vejam só: um cara como eu, analista de sistemas, profissional da TI, na era da Internet, MP3, IPod... ainda insiste em comprar CDs! Não será a primeira vez que serei chamado de otário. Mas o que me leva ainda a comprar aquelas caixinhas de acrilico com um CD e encarte dentro é justamente isso: o prazer de chegar em casa e abrir o plasticozinho do CD, colocar no som e apertar o play, ouvir suas faixas enquanto saboreia o encarte com as letras, imagens e outras coisas. Por mais que eu argumente serei taxado de otário, principalmente por pagar 35 pratas pela bolachinha. Mas tudo bem.
 Então...
Lá estava eu nesse sábado de manhã. Uma manhã de sábado que não precisei trabalhar resolvi dar uma volta no centro da city. Resolvi dar um pulo na Exclusive. Quem é de Santa Maria e é ligado no Metal sabe de que loja me refiro. Pois bem...saí de lá com mais um Cdzito novo: To the Metal, ultimo trabalho do Gamma Ray.

 Todos sabem que minha banda do coração é o Helloween, mas devo confessar que o Gamma Ray já conquistou um pouco minha preferência. Devo, no entanto, apresentá-la devidamente.
O Gamma Ray é uma banda alemã que surgiu em 1993 com a saída de Kay Hansen do Helloween (sacou?...) formando a banda. Kay era uma das almas do Helloween junto com Michael Weikath, tanto que depois de sua saída a banda demorou para se acertar novamente. Saiu porque segundo as más línguas, trabalhar com Mr. Weikath é muito, mas muito difícil. O fato é que Kay foi o primeiro vocalista do Helloween, cantando as músicas mais speed e cruas do primeiro álbum da banda, Walls of Jericho e também um dos compositores dos lendários Keepers of the Seven Key (part I & II) do Helloween que criaram um novo estilo de heavy metal: o Power Metal, ou simplesmente Heavy Metal Melódico, devido às inquietantes influencias de música clássica nas composições. Kay ao formar o Gamma Ray dá continuidade a abre um novo capítulo ao estilo. Não é a toa que é considerado o pai do Heavy Metal Melódico, responsável por influenciar outras bandas como Stratovarius, Blind Guardian, Sonata Arctica, Hammerfall, Rhapsody, Edguy, e por aí afora...

Tive a oportunidade de ver Mr. Hansen em ação. Ou melhor tive a oportunidade de ver todos quem eu queria ver, juntos em ação. Isso mesmo!
Em 2008 houve a turnê conjunta do Helloween e Gamma Ray. Passaram por Porto Alegre e lá estava eu: sozinho aos 31 anos, mas como se tivesse 16. Confesso que ao ver o banner do Gamma Ray e do Helloween ao fundo eu chorei. Foi um momento especial para mim, pois desde minha adolescencia eu curtia o som dos caras. E lá estava eu. Chorei, queria que meus amigos estivessem comigo, mas não podiam. Estava sozinho e chorei. Foi mágico.

As duas bandas juntas
  
Teaser da turne das duas bandas juntas
Apenas um parênteses antes de eu continuar:
Cheguei na rodoviária de calça jeans rasgada no joelho, uma camiseta do Iron Maiden e uma camisa de lã amarrada na cintura. De imediato imaginei que seria o único aborígene quando ví vários iguais a mim saindo de alguns ônibus. "Oba, não sou o único louco". Estava já eu na fila do show acima citado. Sozinho, resolvi conversar com dois caras que estavam em minha frente. Aparentavam ter minha idade, um deles usava óculos e era gordinho e outro magrão e alto e, detalhe, estavam trajados do mesmo jeito, a única coisa que não era a mesma era a camiseta: cada um com uma de uma banda diferente. Começamos a conversar e perguntei a idade deles. Um tinha 31 e o outro tinha 32. Pensei que eu fosse um tiozão naquele meio mas depois vi que eu era um cara muito dos normais. Aí resolvi perguntar o que eles faziam e um disse que trabalhava com telecomunicações e o outro era programador. Deu vontade de dizer: "dá licença, vou achar alguém diferente para conversar..". Aquilo pra mim foi incrível, meu atestado de sanidade metal, ou insanidade, vai saber...
Bom!
O Gamma Ray começou seu trabalho com diferentes formações. Destaca-se a presença nos primeiros trabalhos de Ralf Scheepers, um grandalhão musculoso de voz esganiçada que queria ser o Rob Halford, mas não era veado suficiente pra isso. Saiu da banda para formar o Primal Fear, banda que faz uma cópia discarada do Judas Priest. Com isso, Kay Hansen assume os vocais do Gamma Ray e até regrava tudo para que a coisa fique homogenea.
Hansen está longe de ser um grande vocalista. O lance dele é compor e tocar guitarra. Nessas coisas sim ele é bom, mas sua voz fecha bem com as composições da banda.
De 1998 pra cá, o Gamma Ray tem sua formação estabilizada, com Kay Hansen (voz/Guita), Henjo Richter (Guita), Dirk Schlachter (Baixo) e Dan Zimmermann (batera). Daí pra cá, é um trabalho mais prazeiroso que o outro.

Dirk, Dan, Kay e Henjo
O Gamma Ray sempre será conhecido pelo seu som pesado, melódico, com letras profundas sobre terras desconhecidas, invasões alienígenas,  armagedons, tempos de liberdades, batalhas cósmicas, etc... Mas sempre interpretadas com um censo de humor e diversão. Isso mesmo!
Quando fui conferir o show dos caras em 2008 me surpreendi e confesso: entre Gamma Ray e Helloween, o Gamma Ray fez o melhor show, pois foi o mais empolgante e o mais divertido. Também pudera, os caras são legais, bem humorados, divertidos e demonstram que estão ali por prazer acima de tudo. Adoram o público, se divertem, brincam, vivem com eles.
E com isso, ao longo de quase 20 anos o Gamma Ray persiste fazendo o melhor heavy metal que se pode conhecer: poderoso, empolgante, polido, bem tocado, clássico, de bom gosto. Não tem como não gostar.
Não tinha como não comprar To The Metal. E não me decepcionei.

Olha, o que a gente vê por aí é quando uma banda chega a uma "certa idade" parece que a coisa desacelera e as coisas ficam mais cadenceadas ou mesmo repetitivas. Vemos isso com o Iron Maiden, Kiss, Metallica, Slayer, e por aí vai. Mas não é o que acontece com o Gamma Ray.
Nesse novo álbum sobram peso, diversão, empolgação, bom gosto musical, melodia e velocidade. Esses alemães conseguem tudo isso sem se tornarem repetitivos ou mesmo cansativos.
E lá vem eles com um novo álbum cujo título é uma alusão ao que mais gostam de fazer, o heavy metal. Toda sua devoção a um estilo musical que também tornou-se um estilo de vida para muitos ao redor do plantea, marginalizado antigamente mas que hoje é sinônimo de inteligência, intelectualidade, estudo, caráter, irreverência e competência.
Devo destacar algumas faixas. All you need to know começa com uma velocidade violenta e depois cai numa melodia incrível trazendo um alto astral ao ouvir sensacional. Essa faixa tem dueto de voz com Michael Kiske, o lendário vocalista do Helloween nos tempos dos Keepers que vive falando mal do heavy metal mas já participou de inúmeros trabalhos com inúmeras bandas do gênero. Esse é mais um deles. Vai saber o que esse cara pensa. Aliás, Kiske merece um post a parte.
Depois temos o peso de Time to live e a oitentista Mother Angel. Lá na finaleira temos Deadlands que traz um teclado que me lembra The show must to go on do Queen mas que cai numa pauleira sensacional.
Enfim, To the Metal não é uma paulada, é uma martelada.
Gente, sinceramente, por mais que não se goste da barulheira do heavy metal ou do hard rock, é impossível não cantarolar após ouvir um dos refrões desse disco. Assim como os demais, esse é sim um álbum barulhento, mas tem muita melodia musical. Volto a dizer: bom gosto.
Abaixo o clip da faixa To The Metal.

E se você assistiu o clip acima e não concorda comigo é porque não gosta de heavy metal. Se você não gosta de heavy metal mas respeita e admite que ali existe música, trabalho e arte, tudo bem. Mas se você acha que tudo isso é só uma barulheira, então vai se foder!

Heavy Metal is the law!               ,\oo/

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Tale that wasn't right...

... é, uma de minhas músicas preferidas do Helloween.
Integrante do lendário álbum Keeper of the seven keys  - part I, essa faixa deixa um pouco de lado a barulheira e o peso  para dar lugar ao romantismo e a um refinado gosto musical, principalmente na interpretação vocal.
Tirei uns minutos para brincar no Google e procurar essa canção e tive duas gratas surpresas: a primeira é a música ao vivo interpretada por Michael Kiske em 1993, que gravou sua versão original de estúdio. Já a segunda é intepretada por Andy Deris em 2001, que substituiu Kiske na banda.
Essa é a grande surpresa. Quem é fã do Helloween sabe da diferença dos vocais entre Deris e Kiske. Sabe inclusive que Deris é inferior e muito limitado com relação a Kiske. Mesmo assim, a interpretação de Deris mata a pau e a meu ver é melhor que a de Kiske, apesar de toda a afinação que este último possui e domina. Andy Deris definitivamente bota mais coração na música.
Enfim, para quem ta afim de uma boa música e fazer um agrado aos ouvidos, estão aí as duas versões.
Devo dizer que eu prefiro a segunda, do Deris:


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

2001: Uma odisséia no espaço

Existem gêneros de obras literárias e cinematográficas que nos atraem, nos fascinam, nos inspiram e influenciam. Minha paixão pelo misterioso, pelo desconhecido e pelo reflexivo é conhecida. Além das coleções de livros da Agatha Christie, de Georges Simenon e de Arthur Conan Doyle, que acabam por me denunciar um aficcionado por romances policiais, não posso deixar minha paixão pela história pura e plena e também pela ficção científica. A ficção científica especulativa, aquela que tenta adivinhar como seremos no futuro baseando-se nos conhecimentos tecnológicos e científicos de hoje é, sem dúvida alguma, mais uma das minhas paixões que obviamente influenciaram minha personalidade. Não há dúvidas que este blog é um Raio-X do que e de como penso!
Se eu tivesse que relacionar 3 (apenas 3) filmes que me fizeram encostar a cabeça na poltrona e refletir sobre seu conteúdo, um deles certamente seria o clássico longa-metragem de 1968 de Stanley Kubrick 2001: Uma odisséia no espaço (2001: A Space Odyssey).

O bom de se morar ao lado do Shopping onde se tem uma filial das Loja Americanas é isso: você está entediado em casa e resolve dar uma banda lá e conferir o que tem no cesto dos DVDs em promoção. E lá estava esta obra-prima por apenas 14,99 pratas .
O filme é considerado por ninguém menos que Steven Spielberg como "o Big Bang dos filmes de ficção científica" . Para cineatas como ele, Hidley Scott e outros que exploram esse gênero, 2001: Uma odisséia no espaço é uma referência única e definitiva. Antes de 2001..., os filmes de ficção científica eram no estilo Flash Gordon com um amontoado de foguetes espaciais, armas lasers e foguetes intergalacticos.
Kubrick se adiantou no tempo quando, ao lado do famoso escritor e "futurólogo" Arthur C. Clarke, escreveu o roteiro deste filme. Não apenas por ter visualizado a chegada do homem à Lua mais de um ano antes de Neil Armstrong chegar até lá, mas também por haver realizado o primeiro filme a levantar a hipótese da inteligência artificial.
O filme narra a história desde a "Aurora do Homem" (a pré-história), onde um misterioso monolito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada à Júpiter para investigar o enigmático monolito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.
O computador HAL 9000, além de acabar se transformando no personagem principal do filme e num dos maiores vilões do cinema, possuía uma grande interação com seu operador, o Dr. David Bowman (Keir Dullea). Nota-se que o nome dado a máquina foi muito bem escolhido, visto que é formado pelas três letras que antecedem o nome da mais famosa marca de computadores do mundo: a IBM (percebeu? Antes do "I" vem o "H", antes do "B" vem o "A" e antes do "M" vem o "L"). Diz o mito que foi algo proposital, negado pela equipe, mas seria muita coincidência um computador ter uma referência tão clara assim a toa.
 O filme traça a trajetória do homem sempre abordando a evolução da espécie, a influência da tecnologia nesse crescimento e os perigos da inteligência artificial. O final, um dos mais emblemáticos da história do cinema, mostra astronautas travando uma luta mortal contra o computador - a versão moderna do confronto entre criador e criatura, que já inspirara clássicos como Frankenstein. Durante todo o filme o diretor levanta diversas questões que deixa em aberto até o fim. Para desfazer as dúvidas, Arthur C. Clarke escreveu uma seqüência em que são amarradas todas as pontas soltas: 2010: O ano em que Faremos Contato. Peter Hyans levou essa "continuação" de 2001 às telas, com resultados bem longe de memoráveis, em 1984.
A primeira vez que eu vi este filme eu não entendí absolutamente nada. Também pudera: eu tinha apenas 6 anos e estava junto com minha tia. Imaginem o que ela sofreu assistindo a esse filme comigo, na época uma atração da Globo (faz tempo!!), com uma criança que estava bem na ápoca dos "por quês". Ela se irritava simplesmente porque não conseguia entender as perguntas que eu fazia com relação ao filme pelo fato de também não ter entendido patavinas.
Passados 27 anos resolvi assistir pela cagagésima vez o filme e... continuo sem entender nada!
Então afinal de contas: o que o filme tem de tão fascinante assim?
Justamente isso...
O filme não trás respostas, mas sim perguntas. A genialidade da obra está no questionamento de nossa existência perante forças superiores que nos acompanham desde os nossos primórdios observando nosso desenvolvimento tecnológico mesmo que este ainda seja incapaz de revelar o real objetivo da existência do homem no universo.
O filme é uma aula de antropologia filosófica. Remonta nossa origem e nos perturba ao sugerir que a busca pelo desconhecido universo afora poderá ser concluída no interior do próprio ser humano. Estas são, no entanto, palavras de quem vos escreve. Tenho certeza que muitas outras conclusões poderão ser formuladas por diferentes prismas ao contemplar esta obra pioneira da ficção científica.
Embora as perspectivas tecnológicas terem sido acertadas ao citar a chegada do homem a Lua e a considerar a criação da inteligência artificial, Charles Clark considerou que colonizaríamos a Lua, faríamos viagens interplanetárias chegando a Júpiter ainda em 2001 e, no entanto, estamos em 2011 e nada disso ocorreu. Charles Clark argumenta, de maneira bem fundamentada, de que não há como prever os meandros políticos e economicos de uma civilização inteira. De fato, a obra foi escrita em plena Guerra Fria e não se imaginava que ela iria acabar da noite para o dia (lembremos que a Guerra Fria foi combustível para as corridas espaciais, e com isso o avanço tecnológico aeroespacial).
Para mim, 2001: Uma odisséia no espaço deveria ser exibido em todas as escolas de nosso país porque é uma obra única que nos convida a reflexão do papel da existência do homem e sua busca pelo desconhecido. As imagens que distribuí ao longo deste post são de cenas do filme, e mostram o quanto emblemático é o filme. O filme não é uma obra-prima pelo fato de ser inconclusivo, mas por permitir várias conclusões. Já se passaram mais de 40 anos de seu lançamento e até hoje seu texto é contemporâneo. Sem dúvidas uma obra feita a frente de seu tempo e que não tem prazo para deixar de nos perturbar. Humilde opinião de quem vos escreve...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sempre ao seu lado

Seguinte:
Se você gosta de cachorro como eu então não assista ao filme Sempre ao seu lado (Hachiko - A Dog's Story, 2009), estrelando Richard Gere e Joan Allen, a menos que esteja de bem com a vida.
Agora a noite estava de bobeira quando resolvi passear pelos canais de TV a cabo e me deparei bem no iníciozinho desse filme. Fiquei bastante receoso em assistí-lo pois tinha prometido a mim mesmo que não iria fazer isso, tal foi minha choradeira com Marley & Eu. Mas a curiosidade pela história falou mais alto, ainda mais pelo roteiro ter se baseado numa história real.
O longa é uma adaptação de uma história real, que aconteceu no Japão no início do século. Hachiko é o nome de um cachorro da raça akita que ficou famoso em todo o país depois que apareceu em reportagens de jornais que contavam sua história de lealdade ao seu dono, um professor da Universidade de Tóquio. Todos os dias Hachiko acompanhava seu amigo até a estação de trem e estava lá quando ele voltava para casa.
A história deste cachorro virou uma lenda no Japão e foi usada em escolas e casas para ensinar às crianças a importância lealdade entre amigos. Serviu também para despertar no país uma onda de criações de akitas, raça pura japonesa que estava cada vez menos popular. Há hoje na estação de Shibuya uma estátua de Hachiko, no lugar onde ele ficava esperando seu dono voltar.
O filme é, no entanto, baseado numa cidade americana com personagens americanos (tinha como ser diferente?).
Quando assisti ao trailer do filme, prometi a mim mesmo que não iria assistir o filme. Não cumpri minha promessa e me dei mal: me esvaí numa choradeira sem tamanho.
Simplesmente não há como não gostar do filme. Você pode gostar de cães ou não, basta ter coração para assistir ao filme e chorar.
O detalhe é que não nos emocionamos pelo cão em si, mas pela atitude de fidelidade que ele tem com seu dono. Ao contrário de Marley & Eu, quem faz a falta na história é o dono do cão e não o contrário.
Recomendo o filme. Não apenas pelo apego a cães que temos mas por ser um trabalho de bom gosto. É disso que estamos precisando ultimamente em nossas TVs e cinemas.